ESTRÉIA-"O preço da coragem" revê tragédia de Daniel Pearl

quinta-feira, 1 de novembro de 2007 11:11 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Dirigido pelo inglês Michael Winterbottom, o drama "O Preço da Coragem" recupera a história do jornalista norte-americano Daniel Pearl, sequestrado e decapitado por terroristas no Paquistão, em janeiro de 2002.

Pearl era chefe da sucursal do sul da Ásia do jornal econômico "Wall Street Journal".

Desta vez, Winterbottom, conhecido por filmes engajados, como "O Caminho para Guantánamo" (2006) e "Neste Mundo" (que venceu o Urso de Ouro em Berlim 2003), partiu não de um roteiro original, mas do livro de memórias da viúva de Pearl, a também jornalista Mariane Pearl, A francesa de origem cubana estava grávida de cinco meses quando o marido foi assassinado.

Com Angelina Jolie, de cabelos escuros e encaracolados e lentes escuras cobrindo os olhos verdes, no papel de Mariane, e o marido Brad Pitt como produtor, o filme tem tudo para atrair os holofotes.

Daniel Pearl (interpretado por Dan Futterman) havia saído com seu motorista habitual para uma reportagem. Desapareceu numa rua, depois de entrar num restaurante, atraído sem saber para uma armadilha que levaria à sua morte. Certamente contribuiu para sua bárbara execução o fato de que era judeu.

Angelina Jolie parece conduzir uma interpretação de olho em um Oscar, ajudada pelo fato de ter em mãos um personagem forte. Mariane Pearl mostra controle e coragem inimagináveis na situação absurda em que foi mergulhada.

No meio de uma gravidez, num país estranho e de situação política de difícil leitura, inclusive para autoridades locais, ela não desiste de procurar resgatar seu marido até a perda da última esperança.

Mesmo sabendo-se o fim da história, o filme, que estréia em circuito nacional nesta sexta-feira, mantém o interesse e a atualidade. Afinal, como lembra o livro de Mariane Pearl, os jornalistas estão entre as maiores vítimas de guerras. Sem o preparo de soldados e forçados a expor-se para conseguir suas matérias, os profissionais são frequentemente alvo de perigo.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)