Marisa Monte leva aparato musical ao Complexo do Alemão

segunda-feira, 1 de outubro de 2007 15:59 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Marisa Monte levou seu "Universo Particular" ao Complexo do Alemão, conjunto de favelas castigado por confrontos violentos entre traficantes e policiais, num show que contou com todo o aparato cênico e músicos que acompanham a cantora pelos palcos mais prestigiados do país e do mundo.

"Ela disse que vinha tocar aqui com toda a estrutura", afirmou na noite de domingo o apresentador do show, que marcou a retomada do projeto Conexões Urbanas, da ONG AfroReggae, suspenso durante dois anos por falta de patrocínio.

A música "Infinito Particular", do CD de mesmo nome, abriu a apresentação da cantora e mudou o tom da noite, após a participação do Furacão 2000 e da banda AfroReggae. Austera, sentada no meio do palco e ao violão, aos poucos foi arrancando aplausos e olhares do público atento, em sua maioria formado por jovens, à medida que se movimentava pelo palco e entrava num repertório mais cadenciado, como em "Passe em Casa".

"'Conexões Urbanas' é isso, é trazer o funk que todo mundo conhece, trazer elementos que as pessoas não conhecem. É muito especial retomar o projeto com ela, a Marisa (Monte) é uma cantora muito sofisticada, que este público aqui não conhece muito", afirmou à Reuters José Junior, coordenador do AfroReggae.

A turnê "Universo Particular" reúne músicas dos últimos discos da cantora ("Universo ao Meu Redor" e "Infinito Particular"), dos "Tribalistas" e "Cor-de Rosa-e-Carvão", com sucessos como "Amor, I Love You", que fechou a apresentação.

O Complexo do Alemão tem sofrido desde maio com intensos confrontos entre traficantes e policiais. Em junho, uma megaoperação das Polícias Militar, Civil e da Força Nacional de Segurança (FNS) levou 1.350 homens ao conjunto de favelas e deixou 19 mortos.

Na noite de domingo, no campo de futebol onde foi realizado o show, na favela Canitá, não se via nenhum policial nem violência entre as cerca de 2 mil pessoas que viram o show, segundo a organização. Homens da FNS, no entanto, guardavam as vias de acesso ao conjunto de favelas.

"Todo mundo sofre com a violência aqui, não adianta correr que não tem onde se esconder, mas isto (o show) é bom, assim podemos mostrar que não somos só moradores de favela que vivem na violência", disse Tamires Brás, 14, enquanto aguardava para ver a cantora pela primeira vez.

Para o fã da artista e morador da região Luciano Silva, 27, foi uma surpresa saber que ela cantaria na favela. "O show dela é bem elitizado e tem uma sonoridade bem diferente do que o pessoal escuta aqui, que é mais funk", observou ele, que já chegou a pagar 120 reais para ver o mesmo show em uma casa de espetáculos do Rio.   Continuação...

 
<p>A cantora Marisa Monte durante apresenta&ccedil;&atilde;o realizada em favela no Complexo do Alem&atilde;o, no Rio de Janeiro. Marisa Monte levou seu 'Universo Particular' ao Complexo do Alem&atilde;o, conjunto de favelas castigado por confrontos violentos entre traficantes e policiais, num show que contou com todo o aparato c&ecirc;nico e m&uacute;sicos que acompanham a cantora pelos palcos mais prestigiados do pa&iacute;s e do mundo. Photo by Sergio Moraes</p>