Japoneses da Vila Maria têm pouca ginga mas bom gogó

sábado, 2 de fevereiro de 2008 12:58 BRST
 

Por Alice Assunção e Vanessa Stelzer

SÃO PAULO (Reuters) - Japoneses e descendentes comemoram os 100 anos da imigração para o Brasil com mais enredo na ponta da língua do que samba no pé no Carnaval paulistano de 2008. A Unidos de Vila Maria homenageou os imigrantes que chegaram ao Brasil, país que abriga a maior comunidade nipônica fora do Japão, há um século.

Os homenageados que desfilaram reconhecem que não são tão bons em samba quanto os brasileiros.

"O enredo está na ponta da língua, mas o samba deixa a desejar", disse o terapeuta Shingo Katsuki, 34 anos, filho de japoneses.

Os foliões "japoneses" que desfilaram com ritmo e graça brasileira, se vistos bem de perto, não tinham olhos puxados. Baianas com cabelo e maquiagem de gueixa rodaram seus quimonos amarelos ao ritmo do enredo "Irashai-mase, milênios de cultura e sabedoria no centenário da imigração japonesa".

"A gueixa tem que ter pique de baiana para rodar tanto", brincou dona Alzira Ribeiro Lima, costureira de 53 anos, após desfilar pelo sambódromo.

No entanto, há quem vá em busca de aperfeiçoar o talento de sambar. A madrinha da bateria da Vila Maria, Yuka Sugiura, se iniciou no samba no Japão.

"Meus primeiros passos foram no Japão em 1996 com um professor de samba, depois eu corri atrás (das aulas) aqui no Brasil", disse Yuka, com sotaque bastante carregado, sobre seu início como sambista. "A gente rouba um pouco do samba de vocês e tenta melhorar", acrescentou.

É a primeira vez que a dançarina japonesa, de 36 anos, desfila à frente de uma bateria de escola de samba. No Brasil há oito anos, Yuka mora em Salvador e decidiu deixar a folia baiana este ano para prestigiar seus antepassados.   Continuação...

 
<p>Foli&otilde;es da escola de samba Unidos da Vila Maria desfilam no Carnaval de S&atilde;o Paulo. Photo by Paulo Whitaker</p>