4 de Julho de 2008 / às 13:36 / em 9 anos

ESTRÉIAS-Curtas franceses mostram ritos de passagem da infância

SÃO PAULO (Reuters) - Apesar da pirotecnia que invade os cinemas na época de férias escolares, as crianças terão a chance de conhecer dois filmes antigos com um ritmo e uma proposta bem diferentes. Os curtas franceses "O Balão Vermelho" (1956) e "O Cavalo Branco" (1953) estréiam em cópia restaurada em São Paulo, na sexta-feira, e são exibidos juntos na mesma sessão.

Mais de 50 anos depois de sua primeira exibição, "O Balão Vermelho", de Albert Lamorisse (1922-1970), ainda continua atual e capaz de encantar.

A trama é tão simples quanto mágica: um menino encontra um balão vermelho preso a um poste, quando vai à escola. Ele pega a bexiga mas, ao chegar em casa, a avó solta o balão pela janela. Demonstrando uma estranha lealdade, o balão se recusa a ir embora e passa a seguir o garoto pelas ruas de Paris.

Junto com seu balão, Pascal (Pascal Lamorisse, filho do diretor) enfrenta os ritos de passagem para a vida adulta, como a perda, a descoberta do amor, o medo e a ansiedade.

A bexiga, ora um fantasma, ora um anjo da guarda ou até mesmo um cachorro de estimação, parece ser o símbolo de despedida da infância, o último brinquedo -- aquele para se lembrar a vida toda.

O vermelho do balão surge como um grito colorido em meio a uma Paris melancólica, dominada por tons pastéis, cinzas e marrons.

O filme ganhou diversos prêmios, como a Palma de Ouro e o Oscar de roteiro original (o único nesse formato a ganhar um prêmio na categoria).

"O Cavalo Branco" é o segundo filme mais conhecido do diretor Lamorisse. Diferentemente do "Balão", a história se passa longe do ambiente urbano, com apurado registro documental em algumas cenas -- como numa briga entre dois cavalos.

O mais interessante é que o diretor consegue encontrar um caminho poético para explorar o real, o documental. Lamorisse, aliás, ficou conhecido com um dos mestres do documentário poético.

"O Cavalo Branco", como o outro curta, explora as dores e alegrias do rito de passagem para a vida adulta -- quando a criança deve abrir mão de algumas coisas de seu universo para entrar em outro.

O desejo de liberdade, tanto do cavalo, quanto do jovem pescador, também abre um diálogo com públicos de qualquer idade.

Se por um lado os efeitos visuais da era pré-computação gráfica do "Balão" chamam a atenção, por outro, a densidade emocional do filme é o que garante sua atemporalidade e universalidade.

Recentemente, "O Balão Vermelho" serviu de inspiração para "A Viagem do Balão Vermelho", de Hou Hsiao-hsien, ainda inédito no circuito comercial brasileiro, mas exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2007. Em seu filme, o diretor taiwainês recria o curta de Lamorisse, dando voz a outros personagens, além do menino.

Por Alysson Oliveira, do Cineweb

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