ESTRÉIA-"O Longo Amanhecer" relembra obra de Celso Furtado

quinta-feira, 3 de abril de 2008 11:46 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - "O Longo Amanhecer -- Uma Biografia de Celso Furtado", vencedor de uma menção honrosa no festival de documentários É Tudo Verdade de 2007, traça um perfil aprofundado do economista paraibano, morto em 2004, aos 84 anos. O filme de José Mariani estréia no Rio de Janeiro e São Paulo, na sexta-feira.

Bacharel em Direito, ele tornou-se doutor em Economia pela Sorbonne e esteve por trás de inúmeras idéias e projetos para o desenvolvimento do Brasil, especialmente a partir dos anos 1950.

Furtado foi o mentor de planos de desenvolvimento regional, como a Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste), sendo seu primeiro dirigente, em 1959. Nesse mesmo ano, publicou o livro "Formação Econômica do Brasil", até hoje considerado uma obra essencial para a compreensão do país.

Atuando em órgãos governamentais, foi presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento sob o governo Juscelino Kubitschek, tornando-se ministro pela primeira vez já na gestão de João Goulart, quando ocupou a pasta do Planejamento.

Depois do golpe de 1964, Furtado foi cassado por dez anos, exilando-se primeiro no Chile, depois viajando pela Europa e os Estados Unidos, onde se tornou pesquisador na prestigiada Universidade de Yale.

Contando com rico material de arquivo, o filme reconstitui a época de atuação de Furtado, que voltou ao Brasil em 1981, tornando-se novamente ministro, desta vez da Cultura, no governo José Sarney.

A espinha dorsal deste documentário está numa longa entrevista feita com o economista em 2004, cinco meses antes de sua morte.

Apesar da voz vacilante, Furtado mostra-se perfeitamente lúcido, discorrendo sobre seus temas da vida inteira, especialmente a necessidade do Brasil superar as desigualdades sociais em sua rota de desenvolvimento.

A avaliação da obra do economista é realizada através de entrevistas com intelectuais como Francisco de Oliveira, João Manuel Cardoso de Mello, Antônio Barros de Castro, Hélio Jaguaribe e outros.

As participações mais apaixonadas vêm da economista Maria da Conceição Tavares, que enfatiza a importância do legado de seu mestre, a quem chama carinhosamente de "Velho".

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)