4 de Abril de 2008 / às 12:28 / em 9 anos

ESTRÉIA-Musical "Maré" recria "Romeu e Julieta" em favela

SÃO PAULO (Reuters) - A diretora carioca Lúcia Murat criou um musical em torno de um romance proibido em seu novo filme, “Maré -- Nossa História de Amor”, partindo de uma livre inspiração em “Romeu e Julieta”, de William Shakespeare.

O filme entra em circuito nacional na sexta-feira.

Como havia feito em um filme anterior, “Quase Dois Irmãos” (2004), Murat recorreu a uma parceria com o escritor Paulo Lins (autor de “Cidade de Deus”) para escrever o roteiro.

O elenco conta com poucos nomes famosos -- caso de Marisa Orth, Flávio Bauraqui e Babu Santana. Nos papéis principais estão jovens escolhidos por testes, alguns atuantes em grupos de dança ou teatro do Rio de Janeiro e sem experiência anterior em cinema. É o caso dos protagonistas, Cristina Lago e Vinícius D‘Black.

Usando como cenário a favela carioca da Maré, a história acompanha o surgimento da paixão entre Analídia (Cristina Lago) e Jonatha (Vinícius D‘Black).

Os dois participam do grupo de dança da escola da ex-bailarina Fernanda (Marisa Orth), uma mulher de classe média que decidiu liderar um projeto na favela. Trata-se de um lugar dividido ao meio, cada lado dominado por uma facção do tráfico de drogas.

Analídia é filha de Bê, que está preso e chefia uma das facções. Jonatha é irmão de criação de Dudu (Babu Santana), chefe da outra facção.

Tanto Analídia quanto Jonatha rejeitam as ligações criminosas de seus parentes. Jonatha, cujo maior sonho é gravar um CD, recusa-se a aceitar dinheiro de Dudu para essa finalidade, apesar de ele insistir em oferecer.

Pesa também nesta decisão do jovem a influência do outro irmão mais velho, Paulo (Flávio Bauraqui), que procura fazer com que o caçula não se afaste de uma vida honesta.

No meio da favela dividida e muitas vezes abalada por conflitos, a professora de dança esforça-se por despertar talentos e montar um espetáculo. Mesmo assim, Fernanda tem de lidar com pressões de todo tipo, até para pintar a fachada da escola.

Numa semana, ela recebe ordem de uma facção para pintar a parede de azul, cor que simboliza aquele grupo. Na semana seguinte, os rivais reagem, forçando a professora a pintar tudo de vermelho, cor de seu grupo.

Sendo um musical, muitos destes problemas são contados por músicas e coreografias, estas últimas desenvolvidas por Gabriela Figueroa, com a colaboração de Sonia Destri.

Na trilha musical, assinada por Fernando Moura e Marcos Souza, há canções como “Você”, de Tim Maia, “Favela”, de Marcelo Falcão e Xandão, “Gente de Lá” e “Minha Alma”, ambas de Marcelo Yuka, e até alguns trechos do erudito “Romeu e Julieta”, tema musical para um balé de 1936, composto pelo compositor ucraniano Sergei Prokofiev (1891-1953).

Por Neusa Barbosa, do Cineweb

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