3 de Julho de 2008 / às 15:46 / 9 anos atrás

Show virtual, filmes e vinis fazem exposição de bossa nova em SP

<p>Show virtual, filmes e vinis fazem exposi&ccedil;&atilde;o de bossa nova em SP. O Rio de Janeiro emprestou um pedacinho da praia e do cal&ccedil;ad&atilde;o para uma grande exposi&ccedil;&atilde;o em S&atilde;o Paulo sobre os 50 anos da bossa nova, a partir de ter&ccedil;a-feira. Photo by $Byline$</p>

Por Fernanda Ezabella

SÃO PAULO (Reuters) - O Rio de Janeiro emprestou um pedacinho da praia e do calçadão para uma grande exposição em São Paulo sobre os 50 anos da bossa nova, a partir de terça-feira.

Quatro filmes, seis jukeboxes com 60 canções, 30 vinis originais e até mesmo um show virtual vão ajudar a contar a história do gênero musical que nasceu no Rio. A exposição será no prédio da Oca, parque do Ibirapuera, e vai até setembro.

"Não queremos fazer uma exposição saudosa, nostálgica. Estamos aqui celebrando", alertou um dos diretores da mostra, o artista Marcello Dantas, lembrando uma das canções que lançaram a bossa nova, "Chega de Saudade", de João Gilberto, em 1958.

Só o ano de 1958 já daria uma grande mostra. De fato, ele ocupa boa parte do andar térreo da Oca. Foi em 1958 que o Brasil viu surgir Pelé e a primeira vitória na Copa do Mundo, quando a arte e a arquitetura brasileira tomavam fôlego, assim como a indústria automobilística, a política e a economia do país.

"No fundo, todas essas coisas estavam pedindo uma trilha sonora. Você já tinha uma imagem, que era a própria arquitetura e a arte, já tinha uma mudança de comportamento, um outro espírito de liderança, e faltava só a trilha", disse Dantas.

Logo na entrada da exposição, um fusca preto conversível de 1961 -- o carro começou a ser fabricado no país em 1958 -- dará as boas-vindas aos visitantes. Na sequência, surgem obras de arte e outras referências daquela época, como cartazes de filmes, além de uma grande linha do tempo em uma bancada com 60 metros de extensão.

Um dos destaques da mostra, sem dúvida, será o show "holográfico" de nove minutos dos ícones da música Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Elis Regina, Astrud Gilberto, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Stan Getz, Johnny Alf e Hermeto Pascoal, todos juntos tocando "Garota de Ipanema".

O show virtual usa a tecnologia Eyeliner que, segundo Dantas, é exibida pela primeira vez no Brasil. Trata-se de uma técnica com uma película holográfica e um sistema de projeção, que coloca todos no palco ao mesmo tempo, "interagindo" com piano, banquinhos e microfones de verdade.

"O Vinicius aparece assim meio de lado, meio que paquerando a Astrud... e o Johnny Alf está piano... No final, todos agradecem juntos", contou Dantas, explicando que tudo é em preto-e-branco, como nos anos 1950.

CÉU DE MAR

A exposição é de fato cheia de aparatos tecnológicos, como as jukeboxes modernosas, mas também investe no simples e tradicional, como a vitrola, instalada no último, andar que tocará em 120 fones de ouvido cerca de 30 vinis originais.

Será um espaço de contemplação, onde o visitante poderá se deitar em um sofá de 36 metros com os fones da vitrola. No teto em curva da Oca, haverá a projeção do mar do Rio, cuja filmagem foi feita de helicóptero por Dantas.

Já o famoso calçadão carioca, feito com as pedras portuguesas formando ondas, ganhou uma réplica no subsolo do museu, juntamente com a areia -- na verdade é pó de mármore -- em um espaço de mais de 500 metros quadrados.

É ali no subsolo, em seu auditório, que estará um dos quatro filmes, o documentário "Clarão", de Carlos Nader. Com duração de 30 minutos, a produção traz depoimentos inéditos ou de arquivo de personalidade como Chico Buarque, Caetano Veloso, Tom Jobim e José Miguel Wisnik.

Os outros três vídeos estão no primeiro andar da Oca, em espaços dedicados a Vinicius de Moraes, Tom Jobim e Nara Leão.

"Vou te Contar" é um filme de 15 minutos dirigido por Dora Jobim, neta do maestro, e "Vinicius de Moraes" é outro curta com trechos inéditos de um documentário lançado em 2005 por Miguel Faria Jr. O terceiro é uma versão reduzida do filme "7 x Bossa Nova", de Belisário Franca.

João Gilberto, considerado o pai do gênero musical, é citado diversas vezes, mas não tem nenhum espaço especial na exposição. Segundo Dantas, o motivo é simples: "Ele não deixa, nunca deixou ser biografado", explicou.

"O João Gilberto optou por deixar a obra dele falar, e a pessoa dele desaparecer. É uma opção dele, não nossa."

O cantor e compositor, no entanto, vai fazer quatro shows no Brasil em agosto, como parte do mesmo calendário de eventos para celebrar a bossa nova.

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