Exposição sobre Carlos, o Temerário, recria atmosfera medieval

terça-feira, 3 de junho de 2008 13:23 BRT
 

Por Jonathan Lynn

BERNA (Reuters) - Uma nova exposição na capital da Suíça, Berna, reúne tesouros da Idade Média para ilustrar um ponto crucial da História européia.

A exposição, que irá até o dia 24 de agosto, recria os tempos de Carlos, o Temerário, duque de Borgonha, que gastou sua vasta fortuna com esforços militares e diplomáticos para arrematar seus domínios na França e nos Países Baixos e transformá-los em um só reino. Mas o duque perdeu quase tudo o que tinha no século 15.

Os esforços do duque para criar uma administração efetiva para governar seus territórios serviu de modelo para outros príncipes europeus. Sua corte era a mais magnífica da Europa medieval.

"A importância de Carlos, o Temerário, para a História européia é que ele liderou uma corte que lançou os padrões para os príncipes europeus de seu tempo", disse a curadora Susan Marti à Reuters.

Para Marti, a maior qualidade da exposição, que mostra mais de 200 peças de cerca de 40 museus e coleções diferentes, é a forma como justapõe diferentes obras de arte.

"Você não pode perder as 'conversas' entre os objetos -- as armaduras em frente à tapeçaria, os livros iluminados pela tapeçaria", disse ela.

Os cavaleiros e damas retratados nos tapetes vestem armaduras, sedas, brocados e jóias parecidos com os que estão na exposição.

O tapete mais importante em exibição é quase abstrato. É a "Tapeçaria de Mil Flores", feita para o pai de Carlos, Felipe, o Bom. É uma das melhores obras de arte européias e mostra que a Borgonha vai florescer como no paraíso, sob o comando do duque.

A exposição termina com um belo busto de Carlos 5o, feito por Leone Leoni. Carlos 5o ficou conhecido como governante das terras onde o Sol nunca se põe, já que seu império incluía territórios portugueses e espanhóis na América do Sul.

Carlos 5o, que cresceu na parte dos Países Baixos que pertencia à Borgonha, transferiu os restos mortais de Carlos, o Temerário, para a Bélgica, onde continuam até hoje e para onde vai a exposição no ano que vem, de 23 de março até 21 de julho.