ESTRÉIA-"Do Outro Lado" retrata tensões entre turcos e alemães

quinta-feira, 3 de julho de 2008 12:53 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O premiado drama alemão "Do Outro Lado", que estréia em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte na sexta-feira, é um filme sobre ligações sutis, aquelas que parecem obra do acaso e trazem um significado maior à vida das personagens. O longa, aliás, é mais sobre personagens do que sobre o que eles fazem.

Como em sua ficção anterior, "Contra a Parede", vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim em 2004, o cineasta alemão de origem turca Fatih Akin aborda a questão da identidade dos imigrantes.

Ele mesmo, da segunda geração de imigrantes, sabe o peso de ter de construir uma identidade que una os dois lados, o país de onde seus pais vieram e o novo lar. Muitos nessa situação têm a sensação estranha de não pertencer a nenhuma das duas pátrias. O jovem turco Nejat (Baki Davrak) é um deles.

Nejat, filho de Ali (Tuncel Kurtiz), parece ter conseguido o maior feito que um imigrante de segunda geração poderia almejar: dá aulas de língua e literatura alemã numa universidade e, entre seus temas, está Goethe.

Seu velho pai viúvo, também morando na Alemanha, pede a prostituta Yeter (Nursel Kse) em casamento. Ela aceita, mas mais para evitar as ameaças de alguns muçulmanos radicais do que por amor.

Ayten (Nurgül Yesilçay), filha de Yeter, por sua vez, vive na Turquia e é obrigada a fugir para a Alemanha depois de participar de ataques terroristas, que levam todo o seu grupo para a cadeia.

No novo país, onde se comunica num inglês rudimentar, conhece Lotte (Patrycia Ziolkowska), uma jovem idealista para quem levar uma refugiada estrangeira para casa é algo normal.

A profunda amizade que nasce entre as duas encontra uma barreira na mãe de Lotte, Susanne (Hanna Schygulla, veterana de filmes de Rainer Fassbinder, como "O Casamento de Maria Braun"). "Alemã demais", como a define sua filha, ela reclama da presença da estrangeira em sua casa.

"Do Outro Lado" é um filme que vai crescendo em cima de seus paralelismos, de pais procurando filhos, filhos em busca de seus pais.

Duas imagens praticamente iguais deixam claras as intenções de Akin: um caixão desembarcando no aeroporto de Istambul e, mais tarde, outro, embarcando, sob os mesmos procedimentos, o mesmo ângulo de câmera. Com isso, o diretor parece dizer que vida e morte é a prova de que somos todos iguais, independente da nação.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)