3 de Junho de 2008 / às 20:26 / 9 anos atrás

Após Paulo Coelho, Morais descarta biografias de artistas vivos

<p>Ap&oacute;s Paulo Coelho, Morais descarta biografias de artistas vivos. O escritor brasileiro Paulo Coelho, biografado em 'O Mago' por Fernando Morais. 29 de maio. Photo by Eloy Alonso</p>

Por Marjorie Rodrigues

SÃO PAULO (Reuters) - Depois de "O Mago", livro sobre a vida do escritor Paulo Coelho, o biógrafo Fernando Morais não quer mais saber de escrever sobre pessoas que ainda estejam vivas.

"É claro que você cria um laço afetivo. Por isso, nunca mais quero fazer biografias de gente viva", disse ele na terça-feira, em uma entrevista a jornalistas transmitida pela Internet.

Até então, Morais só havia se debruçado sobre a história de artistas mortos, como Olga Benário Prestes e Assis Chateaubriand.

"Sempre tive muita curiosidade de saber quem é que estava debaixo da pele do brasileiro que mais vendeu livros no mundo e que é hoje o único autor com mais obras traduzidas do que William Shakespeare", disse Morais, para quem o sucesso do "mago", que nunca agradou a crítica brasileira, é motivo de inveja.

"Brasileiro se considera vira-lata, de segunda categoria. Alguns vêem o sucesso dos outros como uma ofensa", disse. "É o rasteiro e baixo sentimento da inveja. Afinal, ele não nasceu na Noruega, nasceu no Botafogo."

Apesar do sucesso, o Paulo Coelho que Morais conheceu é bastante simples. "Eu me surpreendi. Quando cheguei ao aeroporto (para passar dois meses viajando ao lado do escritor), Paulo saiu de um táxi vagabundo, carregando uma malinha vagabunda."

"O Mago" foi lançado no último fim de semana pela editora Planeta e, segundo Morais, vendeu 10 mil exemplares só no primeiro dia. A editora planeja lançar a obra em 40 países.

O grande atrativo para tantos compradores é a promessa de detalhes sórdidos e inéditos da vida de Paulo Coelho, retirados de um baú que o testamento do escritor mandava que fosse incinerado depois de sua morte.

"SEM CENSURA"

Ao saber da existência do baú, Morais pediu as chaves ao autor de "O Alquimista". Paulo Coelho impôs uma condição: Fernando teria de descobrir o nome do militar que o havia prendido e torturado ao confundi-lo com um terrorista, nos tempos da ditadura militar (1964-1985).

Fernando descobriu. Ao abrir o baú, encontrou "180 ou 190" cadernos e 100 fitas cassete com relatos "escabrosos", registrados por 40 anos.

"Me senti o Indiana Jones abrindo aquele baú", disse o biógrafo.

E as histórias escabrosas podem virar filme. Fernando Morais contou que já recebeu quatro propostas de adaptação de "O Mago" para o cinema.

"Hoje mesmo recebi uma proposta de uma produtora carioca", disse Morais, para quem "O Mago" vai ser um "filmaço". "Tem de tudo. Tem violência, sexo, religião, rock and roll, satanismo. E tem redenção, pois o protagonista realiza seu sonho de ser um escritor lido no mundo inteiro."

Embora animado, Morais diz que não quer se envolver diretamente com a produção do filme. "Não sou um homem de cinema. Pedi para que minha agente cuidasse disso pra mim."

Em 2004, "Olga" virou filme, dirigido por Jayme Monjardim. Já "Chatô, o Rei do Brasil", dirigido por Guilherme Fontes, nunca foi concluído. A Agência Nacional do Cinema exigiu a devolução de 36 milhões de reais captados pelo filme por meio das leis de incentivo.

"Espero que desenterrem esse projeto", disse Morais, embora parecesse desesperançado.

Segundo o biógrafo, Paulo Coelho não fez nenhuma censura a seu trabalho e não leu o livro antes de sua publicação. "Estou ansioso. Ele recebeu o livro ontem (segunda) e ainda não deu notícias. Espero que ele goste", disse.

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