Após Paulo Coelho, Morais descarta biografias de artistas vivos
Por Marjorie Rodrigues
SÃO PAULO (Reuters) - Depois de "O Mago", livro sobre a vida do escritor Paulo Coelho, o biógrafo Fernando Morais não quer mais saber de escrever sobre pessoas que ainda estejam vivas.
"É claro que você cria um laço afetivo. Por isso, nunca mais quero fazer biografias de gente viva", disse ele na terça-feira, em uma entrevista a jornalistas transmitida pela Internet.
Até então, Morais só havia se debruçado sobre a história de artistas mortos, como Olga Benário Prestes e Assis Chateaubriand.
"Sempre tive muita curiosidade de saber quem é que estava debaixo da pele do brasileiro que mais vendeu livros no mundo e que é hoje o único autor com mais obras traduzidas do que William Shakespeare", disse Morais, para quem o sucesso do "mago", que nunca agradou a crítica brasileira, é motivo de inveja.
"Brasileiro se considera vira-lata, de segunda categoria. Alguns vêem o sucesso dos outros como uma ofensa", disse. "É o rasteiro e baixo sentimento da inveja. Afinal, ele não nasceu na Noruega, nasceu no Botafogo."
Apesar do sucesso, o Paulo Coelho que Morais conheceu é bastante simples. "Eu me surpreendi. Quando cheguei ao aeroporto (para passar dois meses viajando ao lado do escritor), Paulo saiu de um táxi vagabundo, carregando uma malinha vagabunda."
"O Mago" foi lançado no último fim de semana pela editora Planeta e, segundo Morais, vendeu 10 mil exemplares só no primeiro dia. A editora planeja lançar a obra em 40 países.
O grande atrativo para tantos compradores é a promessa de detalhes sórdidos e inéditos da vida de Paulo Coelho, retirados de um baú que o testamento do escritor mandava que fosse incinerado depois de sua morte. Continuação...

