March 5, 2008 / 1:47 PM / in 9 years

ENTREVISTA-Maria Rita quer afastar imagem de "diva intocável"

5 Min, DE LEITURA

<p>Maria Rita quer afastar imagem de 'diva intoc&aacute;vel'. Seis anos depois de come&ccedil;ar sua carreira, no pequeno palco de um bar de S&atilde;o Paulo, a cantora Maria Rita tenta afastar a imagem de 'diva intoc&aacute;vel' que ganhou naquele per&iacute;odo com as lembran&ccedil;as que seus trejeitos traziam de sua m&atilde;e. Foto do Arquivo. Photo by Paulo Whitaker</p>

Por Fernanda Ezabella

SÃO PAULO (Reuters) - Seis anos depois de começar sua carreira, no pequeno palco de um bar de São Paulo, a cantora Maria Rita tenta afastar a imagem de "diva intocável" que ganhou naquele período, quando as pessoas ainda se emocionavam ou até mesmo se assustavam com as lembranças que seus trejeitos traziam de sua mãe, Elis Regina.

Maria Rita retoma este mês a turnê de seu terceiro álbum, "Samba Meu", uma declaração de amor ao gênero, que a faz até sambar no palco, mesmo que timidamente.

"Tinha uma coisa de imagem que estava me incomodando, de diva intocável", disse a cantora à Reuters por telefone.

"E esse projeto (CD novo) veio para dar uma aliviada nessa noção. Não sei dizer que consequência isso vai trazer à minha carreira, estou até curiosa para ver o que a vida me guarda."

Hoje, muito mais descolada das comparações com a mãe, Maria Rita afirma que continua a mesma -- quem mudou foram os outros. "A percepção das pessoas, da imprensa é outra (hoje), viram que dá para existir as duas, paralelamente, sem estresse."

A turnê de "Samba Meu" estreou no Rio de Janeiro, no final de 2007, e passou por Porto Alegre. Este mês, o show passa por Brasília (dia 7), São Paulo (13, 14 e 15) e Belo Horizonte (29). Há também viagens marcadas para Buenos Aires em abril, e Portugal e Espanha em junho.

"O que eu tenho visto do público era bem o que eu queria. Um público muito liberto, muito em pé, cantando e dançando, fazendo bagunça, participando bastante, o que era sempre o meu objetivo", disse Maria Rita, que trocou São Paulo pelo Rio em maio para fugir do estresse e ficar mais perto da natureza.

A experiência nesses seis anos de estrada trouxe segurança, apesar de a cantora afirmar que continua com o mesmo frio na barriga na hora do show. "Continuo entrando no palco como se estivesse indo para a guerra", disse Maria Rita, rindo.

"QUEM VIVE DE PASSADO É MUSEU"

Os primeiros shows de Maria Rita aconteceram no bar paulistano Supremo Musical, em 2002, ao lado do compositor Chico Pinheiro e da cantora Luciana Alves. No ano seguinte, lançou seu primeiro CD, que vendeu mais de 800 mil cópias e lhe rendeu três Grammys Latinos, incluindo artista revelação.

O começo meteórico trouxe em 2005 o álbum "Segundo", com 204 mil cópias vendidas, e depois "Samba Meu", com 120 mil cópias vendidas desde setembro.

Para explicar a rapidez de seu sucesso, Maria Rita se mostra humilde e usa palavras como "sorte" e "privilegiada".

"Foi rápido sim. Tem parceiros meus que estão, que ficaram na guerra, na batalha 10, 12 anos antes de ter um reconhecimento. Eu realmente fui privilegiada, fui abençoada com todas as coisas que aconteceram comigo", disse.

Maria Rita, 30 anos, diz que tenta manter uma distância dos discos de ouro e platina que recebeu, assim como dos Grammys Latinos -- ela ganhou outros dois pelo CD "Segundo".

"Eu cuido, limpo, tiro o pó, mas eu realmente tenho uma relação assim, como uma linha tênue... Eles ficam guardados num canto que eu veja menos", disse.

"É que nem aquela frase, 'quem vive de passado é museu', que eu aprendi vendo filminho de criança com meu filho", disse a cantora, mãe de Antônio, que faz 4 anos em julho.

"Nem O Amor Faz Tanto"

O futuro, por enquanto, é focar no novo show, que tem 1h40 de duração, divido em três partes -- samba, shows antigos e samba novamente. Ela diz que a apresentação é exigente, não só pelos sambas, mas também porque dá umas sambadinhas. A nova forma física ajuda a manter o pique.

"Eu falo que vou voltar a cantar de saia comprida para não falarem mais disso (que emagreceu), para voltarem a prestar atenção na música", disse, dando risada e completando que no máximo cuida da alimentação -- quase nunca come doce e não toma refrigerante há três anos.

"Esse show é exigente à beça, é samba de cabo a rabo. Cada vez mais eu reverencio Ivete Sangalo", disse.

A longo prazo, Maria Rita diz que quer ser lembrada como uma artista que contribuiu para a música, e não só viveu dela. "Quero fazer pela música o que ela faz por mim", disse.

Mas o que a música faz por Maria Rita? "Tudo, né? Me dá a comida que eu como, me dá o sono que eu durmo... a leveza que eu busco para minha vida... Me dá meu lugar no mundo. Pô, mais que isso, nem amor faz tanto pela gente!"

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below