3 de Setembro de 2008 / às 13:37 / em 9 anos

Desorganização toma conta de fila para ingressos de Madonna

Por Marjorie Rodrigues

SÃO PAULO (Reuters) - A reta final da venda de ingressos para os dois shows da cantora Madonna na capital paulista teve a desorganização como marca. Alterados, fãs da popstar, que esperam desde sábado para garantir lugar no evento, apelavam para que os policiais contivessem os cambistas que se infiltravam na fila, gerando confusão no sistema de senhas que haviam organizado.

“Assim que é verificada a presença deles (dos cambistas), eles são encaminhados para o DP (distrito policial)”, disse o 2o tenente Daniel Kimura, responsável pelo policiamento nos arredores da casa de shows Credicard Hall, um dos pontos de venda para o show da cantora norte-americana, marcado para dezembro.

“Nosso sistema apontou que dois deles estavam sendo procurados”, acrescentou. A Polícia Civil só chegou ao local na manhã desta quarta-feira, atendendo ao chamada dos fãs da cantora, depois de um empurra-empurra.

A aglomeração que se formou à frente da casa de shows, onde os ingressos começam a ser vendidos a partir do meio-dia, preocupa Paulo Basilli, 21, o primeiro da fila.

Na rua desde sexta-feira, foi ele quem trouxe as pulseirinhas e senhas de papel. Chorando, ele diz que conseguiu entregá-las a cerca de 450 pessoas, até que perdeu o controle do próprio sistema.

“Estou desesperado”, diz. “Só espero que as pessoas não me culpem”, acrescenta, desculpando-se pelas lágrimas. “A pressão psicológica, por estar aqui por cinco dias, é complicada”.

Para a maioria das pessoas, no entanto, o “primeiro da fila” é uma pessoa misteriosa. “Ele não se importa. Vai comprar o dele e depois picar a mula”, supôs Juliane Picoli, 30, que diz não ter tomado banho nem escovado os dentes desde segunda-feira.

“Essas pessoas que estão chegando agora, acho que a gente devia colocar todas para correr”, bradou, aplaudida pelos colegas.

“Os cambistas chegaram peitando todo mundo”, contou Tony Passos, 42, que está numa barraca com a mulher e a filha desde sábado. “Acho que a polícia só vai fazer alguma coisa quando morrer alguém”.

Além dos fura-filas e dos cambistas, sobram reclamações sobre a organizadora do show, a Time 4 Fun.

“Eles sabiam que ia ter essa movimentação. É a Madonna! Devia ter um cordão de isolamento, segurança, uma ambulância para quem passa mal”, disse Ana Cristina Ribeiro de Camargo, 40, que não trouxe barraca nem cadeira de praia. “Dormi no chão mesmo”.

Mais adiante, as pessoas se organizavam em fila indiana, tranquilamente. Maria Felix, 49, era a última da fila que, às 8h30, se estendia por cerca de 1,5km. Foi comprar o ingresso para o filho de 29 anos, “como boa mãe”. Chegou perguntando: “quantos milhões têm na minha frente?”. Os adolescentes ao seu lado não souberam responder, mas logo chegaram mais cinco pessoas que ficaram atrás de Maria.

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