ESTRÉIA-Em "Linha de Passe", a busca por uma vida digna

quinta-feira, 4 de setembro de 2008 12:59 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - No jargão do futebol, "linha de passe" define a troca de passes entre os jogadores de um time sem que a bola seja interceptada pelo adversário. O termo, que também serve de título ao novo filme de Walter Salles e Daniela Thomas, se encaixa perfeitamente na história de uma mãe e quatro filhos que buscam melhorar de vida. Todos têm de tocar a bola sem deixar que ela escape de seu controle.

Os "jogadores" do filme, ambientado na periferia de São Paulo, são os cinco personagens centrais.

Dario (Vinicius de Oliveira, que estreou em "Central do Brasil", também de Salles) sonha ser jogador de futebol e tem talento para isso. Porém, se aproxima dos 18 anos e suas chances são cada vez mais limitadas.

Dinho (José Geraldo Rodrigues), evangélico, é frentista num posto de gasolina; Dênis (João Baldasserini), motoboy, não vê muitas perspectivas para o futuro; e Reginaldo (Kaique Jesus Santos), o caçula, é um menino negro em busca do pai, motorista de ônibus.

A mãe, Cleuza, é interpretada pela atriz de teatro Sandra Corveloni, que conquistou o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes, desbancando a favorita Angelina Jolie. Novamente grávida, ela trabalha como doméstica, e é uma torcedora fanática do Corinthians. "Eu sou a mãe e o pai de vocês", costuma dizer.

A linha do tempo do filme acompanha as diversas peneiras pelas quais Dario passa, enquanto a vida dos membros da família cozinha em fogo brando. Todos com uma vontade de mudar, mas, aparentemente, sem poder de ação.

Dario tem muito talento para o futebol, mas é fominha demais com a bola. Por isso, nunca é escolhido nas seleções. Quando surge a oportunidade, ele tem de subornar o técnico de um pequeno time para conseguir a chance de entrar em campo. Dario não tem o dinheiro, mas promete conseguir.

Dênis tem um filho e, eventualmente, passa a noite com a mãe da criança; mas também seduz a secretária da agência de motoboys onde trabalha.

Em sua terceira parceria, Salles e Daniela lançam um olhar carinhoso sobre uma parcela da população mais humilde. Eles já haviam trabalhado juntos em "Terra Estrangeira" (1996) e "O Primeiro Dia" (1998).   Continuação...