ESTRÉIA-"Ainda Orangotangos" realiza desafio técnico em filme

quinta-feira, 4 de setembro de 2008 12:57 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Curta-metragista premiado, o cineasta gaúcho Gustavo Spolidoro decidiu que seu primeiro longa-metragem, "Ainda Orangotangos", seria realizado com um desafio técnico: ser feito num único plano-seqüência, ou seja, sem cortes, em seus 81 minutos de duração. O filme estréia nessa sexta-feira em São Paulo.

Para que "Ainda Orangotangos" pudesse ser concretizado, a produção teve que ser extremamente planejada, já que a filmagem ocorreu, em boa parte, nas ruas de Porto Alegre e dentro de ônibus, acompanhando a mudança de luz entre amanhecer e anoitecer.

O roteiro, do próprio Spolidoro e de Gibran Dipp, adaptou seis contos do escritor gaúcho Paulo Scott.

Nessas diversas histórias que se cruzam, uma seguindo a outra sem uma ligação direta a não ser acontecerem na mesma cidade, passa-se por todo tipo de situação, do drama à comédia.

Na primeira delas, um casal de namorados de origem japonesa viaja no metrô. Os dois dormem. Até que, quando vão descer, o rapaz descobre que a garota está morta. Ou parece estar.

A câmera segue esse rapaz até o mercado --o Mercado Central de Porto Alegre--, onde ele vende um relógio a um menino. A câmera acompanha esse menino dentro de um ônibus, onde acontece talvez a discussão mais engraçada do filme.

O diálogo ocorre entre duas mulheres que fazem uma estranhíssima ligação entre as visitas do papa a Porto Alegre e as vitórias no campeonato estadual dos dois principais times locais, o Grêmio e o Internacional.

Torcedor do Internacional, o cineasta realizou também um documentário sobre a vitória de seu time no campeonato mundial da Fifa, "Gigante -- como o Inter Conquistou o Mundo". Lançado em 2007 em cinema e DVD, este documentário foi filmado depois de "Ainda Orangotangos" que só chega às telas agora, depois de passar por Festivais como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Festival de Lima, onde recebeu o prêmio de melhor filme de diretor estreante.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)