Na direção do trio, motorista diz ser único que não pode errar

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008 23:49 BRST
 

Por Raquel Stenzel

SALVADOR (Reuters) - Uma freada mais brusca e a festa de milhares de foliões pode ser interrompida. Com o peso dessa responsabilidade, os condutores dos trios elétricos saem pelas ruas de Salvador todos os dias de Carnaval, abrindo caminho pela multidão.

O toque nos pedais de freio, embreagem e acelerador tem que ser harmonioso, pois qualquer deslize pode derrubar os músicos que tocam, cantam e dançam em cima do "palco sobre rodas."

"O baterista pode errar, o guitarrista pode errar, e a produção pode errar, mas eu não posso errar," disse Cícero Pereira de Souza, o Dedé, motorista principal do trio de Daniela Mercury. "Tudo o que ela tem está nas minhas mãos," acrescentou o motorista, que transporta a cantora pelo segundo ano consecutivo.

Os caminhões atuais pouco lembram a Fobica, um Ford 1929, que em 1951 levou Dodô e Osmar e o som eletrizante de suas guitarras baianas para as ruas de Salvador, mudando para sempre a forma de brincar o Carnaval. Os atuais trios chegam a pesar 60 toneladas e medem um pouco mais de 25 metros de comprimento.

As cabines tem ar-condicionado e bancos ajustáveis, para reduzir o desconforto físico dos motoristas, que conduzem por mais de cinco horas seguidas em marcha lenta. "Antes a gente fervia como chaleira de tanto calor," lembrou Dedé, que há 16 anos leva trios pelas ruas de Salvador.

As carrocerias são equipadas com dois geradores a diesel que fornecem energia para os potentes sistemas de som e luz. Os artistas têm direito a camarim com banheiro privativo, televisão, aparelho de DVD, forno de microondas e frigobar. Aos poucos, os banners que envolvem as laterais dos trios com as marcas dos patrocinadores estão sendo substituídos por painéis eletrônicos de led e TV plasma.

O trio de Daniela Mercury, o único com dois andares, tem até elevador para levar a cantora e seus bailarinos para o topo.

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