5 de Março de 2008 / às 13:47 / 9 anos atrás

Hollywood vive tensão por ameaça de greve dos atores

LOS ANGELES (Reuters) - O último capítulo da tumultuada greve dos roteiristas já foi escrito, mas Hollywood poderá enfrentar uma possível consequência da custosa paralisação -- desta vez estrelando os atores de cinema e televisão.

Enquanto a indústria da TV correu para levar de volta ao ar programas que estavam parados, depois que os roteiristas voltaram a trabalhar há três semanas, a ameaça de uma greve de atores nos próximos meses colocou os estúdios de cinema numa situação de tensão.

Os produtores estão relutantes a lançar qualquer produção que não possa ser concluída antes do término do contrato com a Screen Actors Guild (SGA, a Associação dos Atores de Cinema e Televisão), que termina no dia 30 de junho.

Considerando os 60 dias que geralmente se leva para fazer um filme, mais alguns dias de folga, mais os dias adicionais e re-filmagens que podem ser necessárias, isso significa que poucos filmes de grandes estúdios começarão a ser filmados depois do fim deste mês, de acordo com especialistas da indústria cinematográfica.

"Os estúdios não estão autorizando nenhum filme que teria de ser produzido depois de 30 de junho", disse um membro de uma das agências de atores que não foi autorizado a falar publicamente sobre os clientes.

As agitações inclusive fizeram com que a maior seguradora de Hollywood, a Firemans Insurance Co, oferecesse uma cobertura inédita de "custos de greve" para os estúdios.

O plano cobriria os custos de produções paradas caso ocorram greves, dano de equipamentos, atores doentes, entre outras perdas inesperadas que adiem as filmagens para depois de 30 de junho.

Para entrar na cobertura, as filmagens devem estar prevista para terminar dia 15 de junho e precisam já ter uma apólice de finalização, que cobre os prejuízos caso um filme não possa ser terminado a tempo ou estoure o orçamento.

PREJUÍZO DE US$3 BI

A própria SAG procurou nesta terça-feira dar assistência a produtores menores e independentes com dificuldades para conseguir apólices, oferecendo documentos que permitem empregar atores do sindicato durante uma greve. Em troca, os produtores precisam aceitar os termos de um contrato interino que a SAG possa oferecer e concordar com qualquer acordo final com os grandes estúdios.

Vários produtores já assinaram "contratos de finalização garantida" com a SAG, e muitas outras propostas estão pendentes, segundo fontes do sindicato.

Os ânimos ainda estão tensos depois da greve de 14 semanas, que envolveu 10.500 roteiristas e paralisou grande parte da indústria televisiva, adiando vários projetos de filmes, deixando milhares de produtores parados e gerando um prejuízo de 3 bilhões de dólares para a economia norte-americana.

A paralisação terminou no dia 12 de fevereiro, depois que os dois lados concordaram em dar mais dinheiro aos roteiristas pelo trabalho publicados na Internet. O contrato foi ratificado formalmente pela Associação de Roteiristas da América (Writers Guild of America) na semana passada.

O SAG também apresenta as mesmas demandas por melhoras no contrato, mas também reclama de questões específicas a seus 120.000 membros, como propagandas forçadas que os atores fazem quando um produto aparece em filmes ou programas de TV.

Em Hollywood, muitos acreditam que o desgaste causado pela greve foi grande demais para que outra aconteça novamente. Mas, com as dezenas de milhões de dólares que entram em jogo quando um filme pára de ser produzido, os estúdios de cinema estão sendo cautelosos. Steven Spielberg desistiu de começar a filmar em abril com a Dreamworks um filme sobre o julgamento de ativistas antiguerra em 1968, de acordo com o jornal Daily Variety.

Os líderes da SAG têm sido pressionados a discutir os contratos com os estúdios o mais rápido possível, causando tensão dentro da associação e seu sindicato-irmão, a Federação Americana de Artistas de Rádio e Televisão (Aftra, na sigla em inglês).

O presidente da SAG, Alan Rosenberg, afirmou que a associação não irá rever nenhum contrato até abril.

Rosenberg e Doug Allen, diretor executivo da SAG, recentemente sugeriram que conversas informais como as que levaram a contratos com a WGA e o Directors Guild of America já estavam encaminhadas. "Nós definitivamente vamos continuar a nos reunir com os CEOs das maiores redes de televisão e estúdios, enquanto nos preparamos para negociações formais", escreveram os dois no dia 28 de fevereiro, num memorando para os membros da SGA.

Reportagem de Steve Gorman

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