ESTRÉIA-Michael Moore radiografa saúde dos EUA em "Sicko"

quinta-feira, 6 de março de 2008 13:11 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Depois de analisar a violência em "Tiros em Columbine", que lhe deu o Oscar de documentário em 2003, e o governo George W. Bush em "Fahrenheit 11 de Setembro", o documentarista Michael Moore volta suas críticas contra o sistema de saúde norte-americano em "Sicko -- $O$ Saúde".

O diretor faz uma radiografia assustadora: segundo ele, aproximadamente 47 milhões de norte-americanos não têm seguro de saúde, nem qualquer condição de obter este item, que é privado e caro.

No filme, que entra em circuito nacional na sexta-feira, há casos realmente impressionantes, como o do casal de jornalistas que foram à ruína depois do câncer que acometeu a mulher, o que os levou a morar de favor no porão da casa de um de seus filhos.

Ou o de outra mulher, cujo marido morreu aos poucos diante de seus olhos, pela negativa de seu seguro de saúde de cobrir um transplante de medula -- que foi classificado como "tratamento experimental".

Há também o caso de alguns voluntários que participaram do socorro às vítimas do 11 de Setembro e que hoje não encontram atendimento para sequelas respiratórias e outras doenças. O motivo é não serem nem bombeiros, nem policiais, sendo, na prática, "punidos" por terem se prontificado a trabalhar sem serem obrigados profissionalmente a isto.

Moore percorre países capitalistas onde o sistema de saúde é socializado, como a Inglaterra, o Canadá e a França, encontrando alguns exemplos de que é possível manter um atendimento de massa e de qualidade.

O ponto alto é a viagem a Cuba, que rendeu problemas na justiça dos EUA para Moore. O cineasta lota um navio de pacientes desprotegidos pelo sistema privado de saúde norte-americano e dirige-se primeiramente à base de Guantánamo, enclave dentro de Cuba onde as autoridades dos EUA mantêm os prisioneiros suspeitos de terrorismo e de pertencerem à Al-Qaeda.

Moore revela que mesmo estes prisioneiros, apontados como vítimas de violações de direitos humanos por organismos internacionais, ironicamente recebem assistência médica gratuita do governo norte-americano, ao contrário dos cidadãos de seu próprio país.

Evidentemente, o navio de Moore não recebe autorização para descer na base militar e dirige-se à Cuba socialista de Fidel Castro -- onde a medicina é totalmente gratuita para qualquer pessoa.   Continuação...

 
<p>Michael Moore radiografa sa&uacute;de dos EUA em 'Sicko'. Depois de analisar a viol&ecirc;ncia em 'Tiros em Columbine' e o governo George W. Bush em 'Fahrenheit 11 de Setembro', o documentarista Michael Moore volta suas cr&iacute;ticas contra o sistema de sa&uacute;de norte-americano em 'Sicko -- $O$ Sa&uacute;de'. Foto do Arquivo. Photo by Danilo Krstanovic</p>