Com mercado aquecido, leilões de arte têm preços variados em SP

terça-feira, 11 de março de 2008 12:47 BRT
 

Por Fernanda Ezabella

SÃO PAULO (Reuters) - Tem Di Cavalcanti por 450 mil reais, e Oscar Niemeyer por 2 mil. Tem também cachimbo do século 19 a 100 reais, e vaso chinês por milhões de reais.

Com o mercado aquecido, segundo especialistas, dois leilões movimentam o mercado das artes em São Paulo nesta semana, trazendo artistas modernistas e contemporâneos, além de objetos de decoração atuais e de 500 anos atrás.

O leiloeiro James Lisboa, que trabalha no setor há mais de 30 anos, faz seu pregão (www.escritoriodearte.com) nesta noite de terça-feira, com quase 200 peças.

"Temos oscilações de preços dando oportunidade para que todo mundo possa comprar. Tem um quadro de 100.000 reais, mas também tem de 1.000 reais", disse Lisboa à Reuters em seu escritório no sábado, onde exibia as telas que irão a leilão.

Quatro telas de Emiliano Di Cavalcanti, com lances iniciais de 450 mil e 140 mil reais, dividiam o mesmo espaço com contemporâneos como Tunga e Vik Muniz, cuja obra feita de chocolate, formando o rosto de Freud, estampa a capa de seu catálogo (lance inicial de 120 mil reais).

Entre as obras de 1.000 reais, há um guache sobre papel de Clóvis Graciano e litogravuras de Maria Bonomi e Rubens Gerchman, que morreu em janeiro, aos 66 anos.

Segundo Lisboa, duas serigrafias de Niemeyer, cada uma com lance inicial de 2 mil reais, têm despertado bastante atenção -- de cada 10 telefonemas, seis são para saber dos quadros.

"O preço é muito em conta se você levar em consideração todo o mito que existe em torno do nome dele", disse Lisboa. "É uma questão de comprar o mito. É para gosto pessoal, para a vaidade de se ter alguma coisa que poucos podem ter."   Continuação...