March 11, 2008 / 3:49 PM / 9 years ago

Com mercado aquecido, leilões de arte têm preços variados em SP

5 Min, DE LEITURA

Por Fernanda Ezabella

SÃO PAULO (Reuters) - Tem Di Cavalcanti por 450 mil reais, e Oscar Niemeyer por 2 mil. Tem também cachimbo do século 19 a 100 reais, e vaso chinês por milhões de reais.

Com o mercado aquecido, segundo especialistas, dois leilões movimentam o mercado das artes em São Paulo nesta semana, trazendo artistas modernistas e contemporâneos, além de objetos de decoração atuais e de 500 anos atrás.

O leiloeiro James Lisboa, que trabalha no setor há mais de 30 anos, faz seu pregão (www.escritoriodearte.com) nesta noite de terça-feira, com quase 200 peças.

"Temos oscilações de preços dando oportunidade para que todo mundo possa comprar. Tem um quadro de 100.000 reais, mas também tem de 1.000 reais", disse Lisboa à Reuters em seu escritório no sábado, onde exibia as telas que irão a leilão.

Quatro telas de Emiliano Di Cavalcanti, com lances iniciais de 450 mil e 140 mil reais, dividiam o mesmo espaço com contemporâneos como Tunga e Vik Muniz, cuja obra feita de chocolate, formando o rosto de Freud, estampa a capa de seu catálogo (lance inicial de 120 mil reais).

Entre as obras de 1.000 reais, há um guache sobre papel de Clóvis Graciano e litogravuras de Maria Bonomi e Rubens Gerchman, que morreu em janeiro, aos 66 anos.

Segundo Lisboa, duas serigrafias de Niemeyer, cada uma com lance inicial de 2 mil reais, têm despertado bastante atenção -- de cada 10 telefonemas, seis são para saber dos quadros.

"O preço é muito em conta se você levar em consideração todo o mito que existe em torno do nome dele", disse Lisboa. "É uma questão de comprar o mito. É para gosto pessoal, para a vaidade de se ter alguma coisa que poucos podem ter."

A variedade de preços também é o chamariz do leilão de 250 peças de Milu Molfi, na quarta e quinta-feira, com obras de arte sacra, pintura nacional e européia, prataria, mobiliário, porcelana, cristais e tapeçaria.

Haverá lances livres para alguns trabalhos, mas também tem o destaque e a capa do catálogo da leiloeira: um jarro de bronze de 25 cm de altura, da dinastia Ming (1368 -- 1644). Segundo Molfi, a peça foi avaliada pela casa de leilões Christie's em 800 mil libras (2,71 milhões de reais).

Mercado Aquecido

Além dos leilões desta semana, há outros dois marcados para os próximos meses, incluindo um da Bolsa de Arte do Rio de Janeiro, com exposição em 25 de abril e pregão em 8 de maio.

O segundo é de Aloisio Cravo, que leiloará 150 trabalhos em 7 de abril, no Hotel Unique, em São Paulo, com obras de Victor Brecheret, Mira Schendel e Leonilson.

"O mercado está aquecido porque o país está aquecido. E o mercado de arte tem um fator importante agora, um fato recente, que é o mercado internacional olhando e identificando grandes contemporâneos brasileiros", disse Cravo por telefone.

Para Molfi, o comprador brasileiro ainda é pouco informado sobre o mercado de arte e ainda fica receoso em investir no setor.

"As pessoas acham que leilão é coisa de fortunas, de vestir o melhor do guarda-roupa, de ir de motorista e tal. Isso não é verdade", disse Molfi, na exposição das obras que irá leiloar. "Você pode ter uma aula de arte aqui, trabalhamos com todo tipo de material, de séculos diferentes."

"O mercado brasileiro está sempre aquecido na classe AAAA. Agora, claro, quando melhora a qualidade de renda da classe média, a gente vende mais", disse.

O público de leilões de arte vem se diversificando. James Lisboa conta que quase 80 por cento de seus clientes são casais entre 30 e 40 anos, que já são colecionadores ou que estão dando início a uma coleção.

Para quem quiser começar a investir em arte, Lisboa diz que a primeira coisa a fazer é se informar, frequentando galerias e leilões para ter idéia dos preços de mercado. E, depois, adquirir sempre aquilo que se realmente gosta.

"Compre sempre uma boa imagem. Uma boa imagem é um bom quadro. Porque o quadro feio que um grande artista pode fazer num momento de pouca inspiração vai ser feio a vida toda."

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