Duchamp, além do ready-made, lança enigmas em exposição em SP

sexta-feira, 11 de julho de 2008 14:16 BRT
 

Por Fernanda Ezabella

SÃO PAULO (Reuters) - O que é uma obra de arte? E quem decide o que é arte?

Inquietações do tipo nortearam a vida do franco-americano Marcel Duchamp (1887-1968), que revolucionou a história da arte ao negar o papel puramente visual de uma obra e lançar os princípios da arte conceitual, pop, minimalista, cinética e das instalações.

Uma retrospectiva de seu trabalho, a primeira na América Latina, acontecerá no Museu de Arte Moderna de São Paulo, a partir de terça-feira, como parte das comemorações dos 60 anos da instituição. São 120 trabalhos que vão além do ready-made, como são conhecidas suas obras mais famosas, incluindo o urinol e o banquinho com a roda de bicicleta.

A exposição promete ser pedagógica sem ser simplista, para que o público possa compreender, ou entender menos ainda, a obra de um dos principais artistas do século 20.

Isso porque seus trabalhos não são de fácil digestão, repletos de enigmas intrincados, muito embora Duchamp quisesse justamente aproximar a arte do público, rompendo com a idéia de sublime e exigindo a reflexão do espectador.

A própria curadora da exposição, Elena Filipovic, que estuda Duchamp há mais de uma década, concorda com a complexidade, mas garante que a viagem vale a pena. Ela se diz especialista em Duchamp, e não expert.

"É difícil ser expert em Duchamp, ele sempre faz você questionar as coisas. Eu espero que as pessoas voltem para ver a exposição algumas vezes, e não apenas uma vez", disse Elena. "Porque é uma história que quanto mais você vê, mais você entende. Ele é um artista complicado."

A própria montagem da exposição, sem linearidade e com paredes assimétricas, busca apresentar um lado pouco conhecido de Duchamp -- sua dedicação ao design de exposições -- mas tão importante quanto seus ready-made.   Continuação...

 
<p>Foto de uma das r&eacute;plicas de 'O Grande Vidro', trabalho de Marcel Duchamp, que estar&aacute; em exposi&ccedil;&atilde;o no Museu de Arte Moderna de S&atilde;o Paulo, a partir da semana que vem. Photo by Reuters (Handout)</p>