ESTRÉIA-Coutinho entrelaça realidade e ficção em "Jogo de Cena"

quinta-feira, 8 de novembro de 2007 11:41 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Conhecido por um estilo que procura a maior naturalidade possível dos entrevistados e a menor interferência do diretor, como fez em seus premiados trabalhos anteriores, "Santo Forte" (1999), "Edifício Master" (2002) e o clássico "Cabra Marcado para Morrer" (1985), o cineasta Eduardo Coutinho retoma o começo de sua carreira em seu novo trabalho, "Jogo de Cena", que estréia nesta sexta-feira.

Iniciando-se como cineasta com a ficção "O Homem que Comprou o Mundo" (1967), Coutinho volta a escalar atores num trabalho, coisa que faz pela primeira vez num documentário. Uma das atrizes é Marília Pêra, que estreou no cinema justamente em "O Homem que Comprou o Mundo".

Marília, Fernanda Torres e Andréa Beltrão são as três atrizes famosas que o diretor convocou para recriar em cena algumas histórias reais de mulheres.

São todas mulheres, aliás, as personagens de "Jogo de Cena", alternando-se depoimentos reais e as recriações das atrizes. Como algumas não são famosas, isto faz com que o espectador se pergunte o tempo todo qual é o depoimento real, qual o encenado, o que só se descobre no final, com algumas surpresas.

Também as atrizes fogem às vezes do script e contam coisas pessoais. Esse jogo que busca romper fronteiras entre documentário e ficção é justamente o que interessa a Coutinho.

As mulheres que aparecem no filme foram selecionadas a partir de anúncios publicados em jornais. Oitenta e três mulheres compareceram dispostas a contar suas histórias de vida, como pedia o anúncio.

Depois de um processo preliminar de entrevistas, método habitual de Coutinho e sua equipe, restaram vinte personagens. Na tela, o número de histórias caiu para menos de metade. A escolha dependeu mais da capacidade de narração de cada entrevistada do que propriamente dos fatos de sua vida.

Para interpretar seus papéis, as atrizes receberam versões editadas dos depoimentos em DVD e também o conteúdo integral deles, por escrito. A partir desse material, tinham liberdade de encontrar uma forma de interpretar diante da câmera.

Tanto as atrizes quanto as mulheres anônimas falam a Coutinho no cenário único do Teatro Glauce Rocha, no Rio. E o diretor supera-se magistralmente, mais uma vez, encontrando novos caminhos para seu cinema tão particular.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)