ESTRÉIA-"O Diário de uma Babá" satiriza ricos de Nova York

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008 11:03 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - "O Diário de uma Babá", que estréia no país na sexta-feira em cópias dubladas e legendadas, tem algo em comum com "O Diabo Veste Prada". Não apenas porque os dois são adaptados de livros de sucesso, mas especialmente no tema que partilham: o olhar de uma classe inferior sobre a mais rica. Neste caso, o foco está na alta classe de Manhattan, com suas mamães desocupadas e sem tempo para os filhos.

O romance "Diários de Nanny" foi escrito por Emma McLaughlin e Nicola Kraus, que trabalharam como babás enquanto estudavam na Universidade de Nova York. Suas experiências serviram como base para esse livro, que tem um certo tom de desabafo -- mais do que de crítica social.

Annie (Scarlett Johansson, de "Encontros e Desencontros") acaba de se formar e pretende ser antropóloga. Porém, passeando pelo parque, uma ricaça a toma por uma babá e a convida para fazer uma entrevista para cuidar de seu filho.

A moça acaba aprovada para a posição e decide transformar seu trabalho num estudo antropológico. Para isso, ela passa chamar a patroa de Sra X (Laura Linney, de "Sobre Meninos e Lobos"), e o marido de Sr X (Paul Giamatti, de "O Ilusionista").

Os X se tornam um estudo de caso para Annie, cujo nome não é compreendido pela patroa, que pensa que ela se chama "Nanny" (babá, em inglês). O Sr X, por sua vez, mal repara na existência da garota dentro de sua casa. O único laço de amizade é mesmo com o pequeno Grayer (Nicholas Reese Art, de "Syriana").

A protagonista vai se apaixonar por um vizinho, a quem chamará apenas de bonitão de Harvard (Chris Evans, de "O Quarteto Fantástico"), um indício para um final feliz. Já Laura Linney consegue imprimir um pouco de humanismo em sua personagem detestável, em princípio, roubando o filme para si em várias cenas.

A adaptação para o cinema não foge muito daquilo que está no livro -- frustrando um pouco os que esperavam mais dos roteiristas e diretores, o casal Robert Pulcini e Shari Springer Berman, responsáveis por "O Anti-Herói Americano".

As primeiras cenas, aliás, parecem mostrar que os cineastas tinham outra coisa em mente quando começaram a fazer o filme -- mas acabaram se rendendo a soluções mais convencionais.

Algumas modificações do livro apenas servem para tornar o filme mais implausível. No original, a personagem tem uma vasta experiência como babá. Aqui, ela consegue o emprego sem qualquer conhecimento prévio -- como se uma mulher rica de Manhattan fosse contratar uma babá sem sequer pedir suas referências.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)