ESTRÉIA-"O Suspeito" examina a paranóia do 11 de setembro

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008 17:14 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Depois de vencer o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2006 com "Tsotsi", o diretor sul-africano Gavin Hood volta suas lentes para uma história verídica, que explora as nuances da paranóia norte-americana depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, em Nova York.

"O Suspeito", que estréia na sexta-feira, traz logo nas primeiras cenas um atentado à bomba no Egito, que deixa um punhado de feridos e causa a morte de um oficial da CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos.

O incidente dá início a acontecimentos desastrosos em efeito dominó. Douglas Freeman (Jake Gyllenhaal, de "O Zodíaco") é chamado para fazer o trabalho do agente morto, tornando-se o observador norte-americano nos interrogatórios de suspeitos realizados no Egito.

Enquanto isso, em Washington, o egípcio Anwar El-Ibrahimi (Omar Metwally, de "Munique") é surpreendido por policiais ao desembarcar no aeroporto, vítima da lei da Rendição Extraordinária, em que suspeitos são deportados para serem interrogados em seus países de origem.

A ação é coordenada por Corrine Whitman (Meryl Streep), que parece não acreditar que um egípcio tenha green card.

A partir de então, a produção se divide em três focos narrativos: na prisão em que Anwar é torturado; na luta de Isabella Fields El-Ibrahimi (Reese Witherspoon, de "Johnny e June") para encontrar seu marido; e, em uma história a princípio paralela, o amor clandestino entre a filha do torturador de Anwar e um jovem vinculado a um grupo fundamentalista.

Em uma determinada cena, o oficial Freeman questiona-se sobre a real eficácia da tortura. Não pela violação dos direitos humanos, mas sim se as respostas extraídas com esse método são confiáveis. A contundência do roteiro vale o ingresso.

(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)