23 de Outubro de 2007 / às 02:55 / em 10 anos

ESTRÉIA-"Piaf" faz retrato da mais popular cantora francesa

SÃO PAULO (Reuters) - Edith Piaf (1915-1963), a mais popular cantora francesa de todos os tempos, ganhou na atriz Marion Cotillard uma intérprete à sua imagem e semelhança, como mostra no filme “Piaf -- Um Hino ao Amor”, que entra em circuito nacional nesta sexta-feira.

O longa foi selecionado na competição principal do Festival de Berlim deste ano.

Cotillard, de 32 anos, transfigura-se para encarnar a cantora da juventude à morte precoce, aos 47 anos, como resultado de uma vida marcada por tragédias e pelo abuso de álcool e drogas.

Nada disso, no entanto, impediu que Piaf encontrasse o caminho para o sucesso e um lugar definitivo no coração dos franceses.

Ela tornou-se a intérprete inesquecível de canções como “La Vie en Rose”, “Je Ne Regrette Rien”, “Padam-Padam”, “Rien de Rien”, todas elas na trilha sonora do filme, algumas vezes na voz da própria Piaf, outras, na de Marion Cotillard.

Sem a intenção de cobrir todos os episódios da vida de sua protagonista, recheada também de muitos amores, o filme de Olivier Dahan (“Rios Vermelhos 2 -- Anjos do Apocalipse”) procura retratar sua personalidade.

Nascida pobre, no bairro de Belleville, em Paris, filha de uma cantora de rua (Clotilde Courau) e de um contorcionista (Jean-Pierre Rouve), a pequena Edith passou um breve período da infância num bordel. Sua avó paterna era gerente do lugar e foi encarregada de seu cuidado depois que a mãe abandonou a família e o pai foi lutar na Primeira Guerra Mundial.

Nesse ambiente, a menina de 5 anos (nessa fase, interpretada por Manon Chevallier) vira o xodó da casa, tornando-se a protegida de uma das prostitutas, Titine (Emmanuelle Segnier).

Quando o pai volta da guerra, cai na estrada com a menina para uma vida mambembe. A rua será a única escola artística para Edith. É lá que ela começa a cantar e rapidamente torna-se uma atração maior do que o pai. Adulta, canta na rua, sozinha ou com uma parceira (Sylvie Testud), tendo como amigos bêbados, marginais e ladrões.

Talento bruto, ela não passa despercebida do empresário Louis Laplée (Gérard Depardieu). Ele é o primeiro a identificar naquela voz de timbre agudo o potencial de uma futura estrela dos palcos.

Também foi ele que a batizou como Piaf, palavra que num dialeto regional francês quer dizer “pardal”. O nome se refere à pequena estatura da cantora, apenas 1,42 metro de altura.

A conquista do posto de cantora no Gernys, o cabaré de Laplée, não demora a ser abalada por um assassinato, que interrompe temporariamente a carreira de Edith.

Ela sobrevive, no entanto, a estes sucessivos altos e baixos, em que o acaso e as paixões fulminantes exercem um grande papel. Um dos maiores amores foi pelo boxeador de origem argelina Marcel Cerdan (Jean-Pierre Martins), um homem casado.

Sem querer constituir uma cinebiografia completa, o filme deixa de lado alguns acontecimentos cruciais de sua vida, como sua colaboração à Resistência antinazista na França ocupada durante a Segunda Guerra Mundial.

Por Neusa Barbosa, do Cineweb

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