10 de Abril de 2008 / às 15:15 / 9 anos atrás

ESTRÉIA-Brasileiro "Estômago" faz trama temperada de humor negro

SÃO PAULO (Reuters) - “Estômago” é uma fábula gastronômica para adultos que gira em torno de uma cadeia alimentar na qual é preciso ser predador para não se tornar presa.

Ao protagonista -- vivido pelo ator João Miguel (“Cinema, Aspirinas e Urubus”) -- resta descobrir esta complicada dinâmica para poder sobreviver na selva de pedra de São Paulo, valendo-se de suas habilidades culinárias.

Ganhador de vários prêmios no Festival do Rio do ano passado, “Estômago” estréia nesta sexta-feira em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba.

O elenco também conta com Babu Santana, Carlo Briani e do músico e ator Paulo Miklos.

“Estômago” é uma comédia de humor negro que encontra uma certa ternura em meio às bizarrices de um mundo distante do glamour da metrópole paulistana.

A narrativa divide-se nas duas trajetórias do mesmo personagem, Raimundo Nonato (Miguel). Migrante nordestino ingênuo e cheio de boa vontade, ele chega a São Paulo buscando uma vida melhor e arruma emprego de faxineiro num bar.

Paralelamente, vemos que Raimundo vai preso -- o motivo só será revelado nos últimos minutos do filme. Essa suspensão da narrativa, pegando dois pontos distantes, cria uma certa tensão e muita curiosidade. Isso graças ao fato de que o diretor e co-roteirista Marcos Jorge sabe como dosar as idas e vindas.

A subida rumo ao “sucesso” de Raimundo dá-se pelo fato de ser exímio cozinheiro, um verdadeiro talento. Depois de conquistar um público cativo num bar com seus salgadinhos, ele consegue emprego melhor num restaurante italiano.

Na prisão, também não tarda para que seus colegas descubram seus dotes culinários. Com alguns temperos e muita boa vontade, ele é capaz de melhorar até mesmo a horrível comida da prisão, o que lhe garante um certo status com seus colegas de cela.

Em sua vida antes da prisão, Raimundo conhece também os prazeres do amor e do sexo com a prostituta Íria (Fabiula Nascimento). É uma relação de amor meio doentia na qual a comida, novamente, tem um papel fundamental. Afinal, a moça, como se diz, é boa de garfo, e encontra no chef o companheiro ideal para saciar suas fomes.

A história de Raimundo é a mesma de muitos nordestinos que desembarcam no sudeste. É uma espécie de versão masculina de Macabéa, a protagonista de “A Hora da Estrela”, mas, como os tempos são outros, os destinos podem ser diferentes.

“Estômago” marca a estréia em longa-metragem do curta-metragista Marcos Jorge, diretor de “Corpos Celestes”.

Por Alysson Oliveira, do Cineweb

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