ESPECIAL-Guardião do Copan recupera moral de símbolo de Niemeyer

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007 12:01 BRST
 

Por Fernanda Ezabella

SÃO PAULO (Reuters) - O Copan é o único prédio que tem um coração. É assim que o síndico do cartão postal da cidade de São Paulo descreve o edifício de 1.160 apartamentos em que vive há 40 anos.

O coração não é simbologia, explica Affonso Celso Prazeres de Oliveira, 68 anos, guardião há quase 15 anos de uma das obras mais famosas de Oscar Niemeyer, que completa 100 anos no dia 15 de dezembro.

Trata-se de um cabo do subsolo ao terraço, que media no passado as oscilações do prédio de 32 andares. "O Copan tem vida própria. Tanto que eu brinco que se você colocar o dedinho na jugular dele, vai ver que tem um frequência cardíaca", diz Oliveira.

As histórias dessa microcidade de 5 mil pessoas no número 200 da avenida Ipiranga, no centro de São Paulo, pulsam pelos corredores sinuosos do Copan, que passou de símbolo da modernidade paulistana nos anos 1960 e 1970 para "favela vertical" nos anos 1980 e 1990.

"O centro era a convergência de tudo, era aqui que estavam os melhores cinemas, teatros e restaurantes, como o Gigetto, onde se encontrava todo mundo, os artistas", diz Oliveira, citando famosos como Roberto Carlos, Cauby Peixoto, Caetano Veloso.

"Com a deterioração do centro da cidade, o prédio também entrou em declínio, passou a ser chamado de treme-treme", diz, enumerando os problemas de falta de energia e água, tráfico e prostituição pelos corredores dos apartamentos.

O Copan é um projeto de 1951 que só foi inaugurado oficialmente em 1966. Chegou a ser renegado por Niemeyer devido às turbulências em sua construção, mas hoje figura entre suas obras favoritas.

De volta à boa forma, o prédio voltou em anos recentes a ser também orgulho da cidade. Os projetos de Oliveira para o Copan, em parceria com o arquiteto Ciro Pirondi, são ousados e prevêem um elevador panorâmico até o terraço, onde se tem uma vista em 360 graus da cidade e se sonha em fazer um museu.   Continuação...

 
<p>Foto do edif&iacute;cio Copan, no centro de S&atilde;o Paulo, uma das obras mais conhecidas de Oscar Niemeyer, arquiteto carioca que completa 100 anos no s&aacute;bado (15). Photo by Paulo Whitaker</p>