10 de Julho de 2008 / às 13:31 / 9 anos atrás

ESTRÉIA-Documentário revela perfil de advogado de terroristas

SÃO PAULO (Reuters) - Ao longo da vida, o advogado francês Jacques Vergès colecionou clientes que vários colegas recusariam -- como o terrorista internacional Carlos, o Chacal, o nazista Klaus Barbie e o ex-presidente sérvio Slobodan Milosevic.

O retrato deste personagem polêmico está no documentário “O Advogado do Terror”, que estréia em São Paulo e Rio de Janeiro na sexta-feira.

Dirigido por Barbet Schroeder (de “O Reverso da Fortuna”), o filme venceu o prêmio César, o principal da França, em 2008, na categoria melhor documentário. No ano passado, também fez parte da seleção Um Certain Regard, a principal mostra paralela do Festival de Cannes.

Baseado em diversas entrevistas, inclusive com o próprio Vergès, que tem 84 anos, “O Advogado do Terror” evita emitir julgamentos sobre seu protagonista.

Filho de uma professora vietnamita e de um médico da Ilha de Reunião (região no oceano Índico ainda subordinada à França), o advogado entrou para a política no final dos anos 1950.

Em 1957, tornou-se defensor de Djamila Bouhared, jovem que acabava de ser condenada à morte por realizar atentados na Argélia contra os colonizadores franceses. Vergès não só salvou sua vida, e de outros militantes argelinos, como casou-se com ela.

Marido de uma heroína nacional argelina, o advogado ficou em sua sombra. Limitado a defender apenas casos de divórcio naquele país, acabou indo embora.

Aproveitando-se de sua fama pela atuação na causa argelina, encontrou outros clientes fora dali, palestinos, cambojanos, alemães, boa parte deles envolvidos em atos de terrorismo.

De 1970 a 1978, não se sabe ao certo onde ele andou. O próprio Vergès evita confirmar se esteve mesmo no Camboja -- onde era amigo do ditador Pol Pot --, na China ou no Oriente Médio.

Articulado e bem-falante, Vergès não é figura simples de confrontar -- e o diretor Barbet Schroeder, aliás, não tenta isso em nenhuma cena. Seu projeto é acumular depoimentos, intercalando-os entre longas conversas com o próprio advogado. Schroeder parece querer deixar o julgamento do personagem para os espectadores.

Entretanto, sem contar com nenhuma narração e com um uso bastante econômico de imagens de arquivo, alguns espectadores poderão ter dificuldade em se posicionar diante de tantas informações.

O filme oferece, em todo caso, um rico painel, não só de uma personalidade controvertida, como de vários movimentos políticos clandestinos dos séculos 20 e 21.

Por Neusa Barbosa, do Cineweb

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