ESTRÉIA-"Iluminados" coloca diretores de fotografia em cena

quinta-feira, 11 de setembro de 2008 13:28 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A fotografia no cinema ainda é uma questão que confunde muita gente. Qual é realmente a função de um diretor de fotografia? Como ele pode ajudar o diretor de um filme a transformar uma idéia em imagem? São questões como essas que emergem no documentário "Iluminados", de Cristina Leal, que estréia em São Paulo e Rio nesta sexta-feira.

"Iluminados" é um documentário que parte de uma boa idéia e a executa muito bem. A diretora convidou seis dos mais importantes diretores de fotografia brasileiros da atualidade e deu uma mesma cena para eles iluminarem e enquadrarem de acordo com seus gostos e opções pessoais. O que se vê na tela são seis momentos completamente distintos, o que só comprova o pluralismo do cinema.

Antes de cada cena, porém, o filme conta com depoimentos dos diretores sobre sua formação e influências. Dib Lutfi ("Como Era Gostoso o Meu Francês"), por exemplo, se mostra o mais interessado nas novas tecnologias. Em 2006, ele filmou "Carreira", de Domingos de Oliveira, em digital. Na sua versão da cena de "Iluminados", ele usa câmera no ombro e faz um plano-sequência (uma longa tomada sem interrupção).

Edgar Moura ("A Hora da Estrela") também opta por um plano sem cortes, mas sua concepção é completamente diferente da do colega. Fernando Duarte ("Ganga Zumba") trabalhou uma fotografia mais naturalista, enquanto Pedro Farkas ("Não Por Acaso") faz o mesmo, porém, com uma iluminação diferente. Ele, aliás, relembra a sua carreira e mostra que trabalhar com fotografia foi praticamente algo que estava no sangue. Seu pai é o famoso fotógrafo e produtor Thomas Farkas.

Walter Carvalho ("Central do Brasil") é quem faz as opções mais criativas, usando luz de velas e de relâmpagos para iluminar o cenário. Além de fotógrafo, ele é diretor bissexto e prepara primeiro longa de ficção que dirigirá sozinho, "Budapeste", baseado no romance homônimo de Chico Buarque. Em seu currículo tem outros em co-direção, como "Cazuza -- O Tempo Não Pára" e o documentário "Janela da Alma".

O último diretor de fotografia a dirigir a cena é Mario Carneiro (morto em outubro do ano passado), cujo currículo inclui "500 Almas" e "O Padre e a Moça". Nos últimos anos, ele também se dedicou a filmes sobre artes plásticas -- para ele, a mãe da fotografia -- e co-dirigiu "Milton Dacosta: Construções Íntimas" (1998), ao lado de Roman Stulbach.

O maior acerto da diretora Cristina Leal é não deixar o filme didático, sem esquecer no entanto o espectador que não possui conhecimento técnico. As cenas que ilustram os depoimentos, garimpadas das obras dos entrevistados, mostram a abrangência do cinema brasileiro e são muito bem aproveitadas pela edição de Marcelo Moraes e Luiz Guimarães de Castro.

Talvez a maior ausência sentida entre os entrevistados é Antonio Luiz Mendes, diretor de fotografia de filmes como "Eternamente Pagu" e "Das Tripas Coração". Mas ele está presente em "Iluminados", do outro lado da câmera, filmando seus colegas.

(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)