ESTRÉIA-Julia Lemmertz lidera elenco de filme sobre mulheres

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008 11:31 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Um filme comandado pela sexualidade feminina e em que os homens quase não aparecem. Assim, "Mulheres, Sexo, Verdades e Mentiras", primeira direção em cinema de Euclydes Marinho, pretende ganhar a simpatia do público, especialmente, das mulheres.

Apesar de estrear na direção de cinema, Euclydes Marinho está longe de ser um marinheiro de primeira viagem. Ele vem de uma longa carreira como roteirista de TV, participante de série de sucesso como "Armação Ilimitada", "Confissões de Adolescente" e "Malu Mulher", que serviu de base para o filme.

Além disso, a equipe de produção foi a campo, distribuindo questionários para várias mulheres e abrindo uma comunidade no Orkut para recolher subsídios para o tema que pretende abordar, de potencial sempre polêmico.

Quem conduz a história é a documentarista Laura (Julia Lemmertz) que, depois de romper um casamento de 20 anos ao encontrar um homem que desperta sua paixão, há muito adormecida, interessa-se em descobrir o que é, afinal, que estimula a sensualidade nem sempre bem assumida das mulheres.

O documentário é um pretexto para que se intercalem no filme inúmeras entrevistas em que mulheres das mais diferentes idades e profissões descrevam suas sensações e fantasias sexuais.

Como aconteceu recentemente no documentário "Jogo de Cena", de Eduardo Coutinho, alguns destes depoimentos são de pessoas comuns, outros são interpretados por atrizes não famosas -- embora com intenções bem diferentes do filme de Coutinho.

Vivendo apaixonadamente a relação amorosa com o misterioso Mário (Fernando Eiras), que aparece e desaparece, Laura começa a se sentir incomodada com esta nova liberdade. E experimenta um novo questionamento.

Ao lado de Laura, outras mulheres têm posturas diferentes. Ela tem uma amiga bem mais desinibida (Cristina Amadeo), que vive fantasias com parceiros da Internet, uma irmã travada (Malu Galli) e uma filha jovem e livre (Branca Messina, de "Não por Acaso").

Os homens aparecem pouco, ainda que não tenha sido esta a intenção inicial. A equipe do filme ouviu mais de 70 deles, mas poucos depoimentos restaram, porque eles não se abriram, como fizeram as mulheres.

Felizmente, apesar da franqueza com que o tema é tratado, não há aqui o menor sinal da vulgaridade ou da ligeireza que contaminou filmes que abordaram o mesmo assunto, como "Sexo, Amor e Traição", de Jorge Fernando, e "Avassaladoras", de Mara Mourão.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)