13 de Março de 2008 / às 16:33 / em 10 anos

ESTRÉIA-Filme coletivo de Cannes tem segmento de Walter Salles

<p>Filme coletivo de Cannes tem segmento de Walter Salles. O filme coletivo 'Cada um com seu Cinema', encomendado pelo diretor do Festival de Cannes a 35 diretores de todo o mundo, foi planejado para comemorar os 60 anos do evento franc&ecirc;s, completados em 2007. Foto do Arquivo. Photo by Vincent Kessler</p>

SÃO PAULO (Reuters) - O filme coletivo “Cada um com seu Cinema”, encomendado pelo diretor do Festival de Cannes a 35 diretores de todo o mundo, foi planejado para comemorar os 60 anos do evento francês, completados em 2007, e celebrar a arte do cinema.

O longa, que conta com um segmento do brasileiro Walter Salles, estréia na sexta-feira em São Paulo, Santos, Jundiaí, Curitiba, Florianópolis e Fortaleza.

Cada um dos cineastas realizou um curta de três minutos.

No segmento dirigido por Salles, “A 8.944 km de Cannes”, a dupla nordestina Caju e Castanha declama, na velocidade alucinante da embolada, uma série de comentários cômicos sobre Cannes.

A cidade francesa é descrita pelos músicos como um “porto de pesca abandonado”, cujo prefeito é Gil, o que gerou uma piada entre os cantores sobre se ele seria Gilberto Gil (a referência é a Gilles Jacob, diretor do Festival de Cannes).

A dupla de cantores já tinha ido à França em 2005, nas comemorações do ano do Brasil naquele país. Antes disso, havia protagonizado o curta “Caju e Castanha contra o Encouraçado Titanic”, de Salles e Daniela Thomas, apresentado na Quinzena dos Realizadores de Cannes em 2002.

As novas tecnologias aparecem no segmento de Atom Egoyan, “Artaud Double Bill”, em que dois namorados trocam imagens dos filmes que estão assistindo em salas diferentes via palm tops e celulares.

Jane Campion, única mulher entre os 35 diretores, assina “A Mulher-Inseto”, em que uma minúscula fada é perseguida e esmagada por um homem -- um discurso feminista assumido.

O japonês Takeshi Kitano recorre ao humor em “Encontro único”, para retratar a persistência de um único espectador de uma sessão de cinema na zona rural, em que o filme (“Kids Return”, do próprio Kitano) sofre inúmeras interrupções.

O dinamarquês Lars von Trier pega pesado no humor negro em “Ocupações”, tocando em um tema que algum dia já afetou todo frequentador de espetáculos artísticos: um chato tagarela sentado bem ao lado.

Bem mais hilariante é “Cinema erótico”, de Roman Polanski, que retrata a movimentada sessão de um filme erótico, cheia de acidentes e mal-entendidos.

Manoel de Oliveira, David Cronenberg, Theo Angelopoulos, Amos Gitai, Wim Wenders, Wong Kar wai e Elia Suleiman estão entre os outros diretores que contribuíram para esta saborosa visão coletiva da sétima arte, tratando especialmente da sobrevivência de sua mágica e seus outros dilemas no século 21.

Por Neusa Barbosa, do Cineweb

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