Cineasta cubano Humberto Solás lamenta falta de apoio oficial

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007 15:02 BRST
 

HAVANA (Reuters) - O cineasta cubano Humberto Solás disse que seu projeto mais recente, o filme "Guanajay", foi excluído pelo segundo ano seguido dos apoios financeiros estatais devido à "burocracia conservadora" do país. A versão oficial, no entanto, é que "não há dinheiro".

Solás, conhecido por filmes de baixo orçamento como "Lucía" (1968) e "Barrio Cuba" (2005), sobre os duros aspectos da realidade social da ilha, descreveu "Guanajay" como um filme sobre o cotidiano.

"É o segundo ano que este projeto é excluído. É algo curioso e estranho que não consigo entender", disse à Reuters por telefone.

Um comunicado do Festival de Cinema Pobre, criado por Solás, disse que a culpa é da "burocracia conservadora" dentro do Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográfica (Icaic).

O Icaic, segundo o comunicado do festival, nega apoio a filmes como "Guanajay" enquanto financia "obras custosas de questionável valor artístico".

Solás calcula que seu filme teria um orçamento de entre 65.000 e 75.000 dólares, cerca de 10 vezes menor que qualquer longa independente na América Latina.

"É um testemunho muito sincero sobre o presente na ilha e em Havana", explicou o diretor.

Ele afirmou que irá rodar "Guanajay" em 2008 com ou sem apoio das estruturas oficiais.

Solás lançou em 2003 o Festival de Cinema Pobre, um espaço para o cinema de baixo orçamento inspirado, segundo ele, no Festival de Cinema de Sundance, do ator e diretor norte-americano Robert Redford.

(Por Esteban Israel)