Jornalistas do Le Monde entram em greve contra demissões

segunda-feira, 14 de abril de 2008 17:08 BRT
 

Por James Mackenzie

PARIS (Reuters) - Os jornalistas do Le Monde, um dos mais respeitados jornais da França, entraram em greve na segunda-feira para protestar contra as demissões na redação. Esta é a segunda greve do tipo na história do jornal.

O jornal Le Monde, que geralmente tende para a esquerda e diz ser lido por aproximadamente 2 milhões de pessoas todos os dias, é um dos mais influentes jornais do país, com extensos contatos nas instituições francesas e um tom intelectual inflexível.

Mas, assim como outros jornais, ele tem sofrido com o aumento nos custos de produção, a queda na receita de publicidade, a crescente competição com a Internet e a popularidade das revistas semanais.

A greve, que impediu a publicação da edição de terça-feira, foi a primeira desde 1976, quando os jornalistas protestaram contra a aquisição do jornal Daily Soir pelo magnata da mídia Robert Hersant.

É a primeira vez que eles fazem greve para protestar contra um fato relacionado à própria companhia.

"Somos um jornal independente de referência e isso tem seu preço", disse Michel Delberghe, jornalista do Le Monde e representante da União CDFT, que se uniu aos grevistas no quartel-general do jornal, no sul de Paris.

Uma nova equipe administrativa disse aos funcionários no começo do mês que o grupo Le Monde teria de vender vários títulos, incluindo a renomada revista Cahiers du Cinema, e ainda cortaria 130 postos de trabalho do jornal principal, entre os quais está um quarto da equipe de 340 jornalistas.

Segundo a administraão, o plano permitiria que o grupo zerasse suas perdas no ano que vem e voltasse a lucrar em 2010.

O Le Monde nasceu em 1944, depois que a França se libertou do poder nazista. Suas perdas somaram 20 milhões de euros (31,64 milhões de dólares) em 2007, depois de um prejuízo de 14,3 milhões em 2006. A total da dívida é de 150 milhões de euros.