ESTRÉIA-"Chega de Saudade" destaca nostalgia de bailes antigos

quinta-feira, 20 de março de 2008 14:16 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A diretora paulista Laís Bodanzky ("Bicho de Sete Cabeças") aposta no charme nostálgico dos bailes à moda antiga em seu segundo filme, "Chega de Saudade", que estréia em circuito nacional na sexta-feira.

Vencedor de três prêmios no Festival de Brasília 2007, "Chega de Saudade" usa uma locação real, o clube União Fraterna, no bairro paulistano da Lapa, como cenário de sua história.

Ali, Laís Bodanzky monta o espaço vital em que se movem diversos personagens, como o velho casal cheio de mágoas, mas também de ternura (Tônia Carrero e Leonardo Villar), e a jovem (Maria Flor) que se entusiasma com a lábia do malandro de salão (Stepan Nercessian), para desespero do namorado ciumento dela (Paulo Vilhena).

Há também a madura sensual que ama um homem casado (Conceição Senna), a solitária aflita para quem tudo dá errado naquela noite (Betty Faria), e o garçom que tudo vê e acode (Marcos Cesana), como um anjo da guarda sempre em missão.

Todas essas histórias desenrolam-se ao longo de uma única noite, na qual se tocam todos os ritmos dançáveis, do samba ao tango.

Em cena, estão os cantores Elza Soares e Marku Ribas. Para o sucesso do projeto, recorreu-se ao produtor musical BiD, pesquisador de música brasileira antiga e nova. Os atores tiveram preparação com Sérgio Penna. A coreografia ficou a cargo do bailarino J.C.Violla.

Raras vezes se vê tamanha e tão sincera exibição das rugas e marcas de expressão de atores maduros, revertendo o padrão dominante na publicidade, sempre voltada à perfeição de jovens modelos.

A câmera do filme (mais um belo trabalho de fotografia de Walter Carvalho) procura, ao contrário, a verdade das pessoas comuns, para quem o tempo passa sem apelação e quase sempre sem a possibilidade do recurso às plásticas.

Pelo menos no Festival de Brasília, a receita deu muito certo. Ao final da sessão inaugural do filme, no Cine Brasília, em novembro, vários espectadores dançavam animadamente no final da sessão.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)