15 de Agosto de 2008 / às 17:45 / 9 anos atrás

"São Paulo, I love you", diz João Gilberto

<p>'S&atilde;o Paulo, I love you', diz Jo&atilde;o Gilberto. O cantor Jo&atilde;o Gilberto em show no audit&oacute;rio do Ibirapuera em S&atilde;o Paulo, dia 14 de agosto. Photo by $Byline$</p>

Por Fernanda Ezabella

SÃO PAULO (Reuters) - Morenas de sandália de prata sambam. Dores de amor ecoam nos bares do Leblon. Vatapá e pôr-do-sol se combinam na Bahia. Um show de João Gilberto é um show de imagens e sentimentos, principalmente para quem fecha os olhos e entra na onda de sua voz sussurrante, como se o pai da bossa nova contasse uma história ao pé do ouvido.

O cantor e compositor baiano de 77 anos fez seu primeiro show em São Paulo em cinco anos, na noite de quinta-feira, no Auditório Ibirapuera, no principal evento do calendário de comemorações dos 50 anos da bossa nova.

Atrasado em mais de 1h30, o músico subiu ao palco às 22h36 e de lá saiu às 00h05, após 29 canções, incluindo um generoso bis e duas músicas repetidas.

Ao contrário da fama, não reclamou de nada. Nem do ar condicionado, nem do som, nem da platéia. O público, aliás, caprichou tanto no silêncio que era possível ouvir os cliques das máquinas dos fotógrafos autorizados, na primeira canção, “Aos Pés da Cruz”.

A reverência ao mestre era tanta que nem cantar junto parecia ser possível. Um espirro sequer era motivo de olhares de reprimenda. Ainda na primeira canção, um barulho bem alto, de computador sendo desligado, quase colocou tudo a perder. Tensão na platéia. Mas João Gilberto parecia de bem com a vida, e fez que nem notou.

E foram diversos os clássicos que o público se segurou para não soltar a voz com João Gilberto, como “O Pato”, “Corcovado”, “Garota de Ipanema”, “Doralice”, “Retrato em Branco e Preto”, apesar de não ser nada fácil acompanhá-lo.

Ele sempre muda de leve as composições, subtraindo notas, alterando ritmos, juntando frases e arrancando aplausos. Mas não muitos aplausos, claro, para não atrapalhar. A platéia fazia questão de esperar até o soar da última nota para começar a bater palmas, que eram rapidamente interrompidas.

Com o silêncio total da platéia, estrelada pelo ator Wagner Moura e muitos outros colunáveis, as imagens da Bahia se formavam na mente com canções como “Você já Foi à Bahia?” e “Bahia Com H”. E também as morenas sensuais de “Isto Aqui, O Que É?” e “Da Cor do Pecado”.

João falou pouco. Começou pedindo desculpas pelo atraso e lá pela quarta canção elogiou a cidade e afirmou que era, sim, paulista.

“São Paulo, I love you”, disse, antes de falar bem, muito bem, de seu amigo Henry Maksoud e do hotel que leva seu sobrenome. “Aquela varanda comum, o tratamento todo, a hospitalidade...”, elogiou João.

Nada falou dos 50 anos da bossa, mas tocou “Chega de Saudade”, marco inicial do movimento, gravada há exatos 50 anos e 35 dias no estúdio da Odeon, no Rio de Janeiro, como bem lembrou o historiador Zuza Homem de Mello antes do show começar.

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