Para críticos, João Gilberto e bossa nova ainda são insuperáveis

quarta-feira, 16 de abril de 2008 15:20 BRT
 

Por Fernanda Ezabella

SÃO PAULO (Reuters) - Nos 50 anos da bossa nova, apenas um nome faltava para completar as comemorações que se espalham pelo país. O cantor e violonista João Gilberto confirmou oito apresentações para este ano, a partir de junho, para celebrar o gênero que ajudou a fundar, com seu cantar meio falado, meio baixinho, e seu jeito novo de tocar violão.

"João Gilberto não dá um show, dá um recital", diz Zuza Homem de Mello, crítico e historiador de música, explicando que o artista baiano de 76 anos está longe das parafernálias que os artistas usam em suas apresentações.

De fato, basta um banquinho e um violão, praticamente sinônimos de bossa nova, para o cenário de um "recital" de João Gilberto.

"Ele prescinde de tudo o que é efeito. Prescinde de tudo o que é necessário para mascarar a essência do espetáculo que é a música propriamente dita", continua Zuza, autor de "Folha Explica João Gilberto", em entrevista à Reuters. O deslumbramento de suas platéias sempre lotadas vem em grande parte das sutilezas e detalhes com que ele cria e recria, de forma obsessiva, canções que o acompanharam por toda sua carreira -- como "Doralice", "Corcovado", "Insensatez", "O Pato", "Samba de uma Nota Só".

"Agora, isso só é percebido por quem está prestando completa atenção na apresentação dele ou no disco", disse. "Senão, a pessoa acha que é a mesma coisa. É sutil."

O primeiro show do ano será em 22 de junho no Carnegie Hall, em Nova York.

Depois, se apresenta nos dias 14 e 15 de agosto no Auditório Ibirapuera, em São Paulo; dia 24 de agosto, no Theatro Municipal do Rio; e dia 5 de setembro, no Teatro Castro Alves, em Salvador. Haverá ainda três shows no Japão.

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