February 17, 2008 / 1:00 PM / 9 years ago

Prêmio a "Tropa de Elite" é visto como desforra após críticas

5 Min, DE LEITURA

<p>O diretor Jos&eacute; Padilha exibe o Urso de Ouro, principal pr&ecirc;mio do Festival de Cinema de Berlim, neste s&aacute;bado, por seu filme 'Tropa de Elite'. Photo by Hannibal Hanschke</p>

Por Fernanda Ezabella

SÃO PAULO (Reuters) - "Tropa de Elite", o filme mais comentado e visto de 2007 no Brasil, recebeu o prêmio máximo do Festival de Cinema de Berlim, o Urso de Ouro, em um clima de surpresa e desforra após críticas recebidas dos dois lados do Atlântico.

Esta é a primeira vez em 10 anos que o Brasil recebe o Urso de Ouro. Em 1998, Walter Salles foi premiado com "Central de Brasil" e Fernanda Montenegro com o prêmio de melhor atriz.

"Tropa de Elite", dirigido por José Padilha e com Wagner Moura como protagonista, narra a luta sangrenta contra o tráfico nas favelas do Rio de Janeiro, na visão dos policiais do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais).

"Estou muito feliz pelo meu filme, pelo cinema brasileiro ter ganho esse prêmio em Berlim. É uma prova da vitalidade do cinema, que tem muitos filmes tão bons quanto o nosso. Esse prêmio é de todo mundo", disse Padilha na Alemanha, de acordo com a distribuidora Paramount Pictures Brasil.

Para o cineasta e produtor de cinema Luiz Carlos Barreto, a premiação realmente tem a importância de "mostrar o vigor e a força do cinema brasileiro". Ele evitou valorizar as críticas da imprensa internacional ao filme.

Logo após a exibição de "Tropa de Elite" em Berlim, o respeitado jornal Variety classificou o longa como "um filme de recrutamento para assassinos fascistas". Mas "Tropa" também recebeu elogios de outras mídias internacionais.

"Esse patrulhamento aos filmes são pretensões subjetivas, porque você pode fazer uma leitura do filme por um lado ou pelo outro", disse Barreto, por telefone. "O importante é que o filme tem recebido grande reconhecimento por parte do público."

Para a crítica de cinema Neusa Barbosa, a premiação foi "uma grande surpresa" e também uma desforra.

"É, sim, uma resposta para as críticas que Padilha recebeu, tanto aqui no Brasil, como lá em Berlim", disse Neusa, para quem só o fato de o longa ter sido selecionado para a competição em Berlim já era um fato "muito expressivo".

O festival alemão está entre os três mais importantes do mundo, ao lado de Cannes e Veneza, e tem um viés mais político do que os outros dois.

"Muitas pessoas achavam que era um filme muito significativo só para nós, que era muito local", disse Neusa. "Mas não é verdade, a violência e essa luta contra o tráfico têm muito mais apelo do que a gente pensa."

Este é o primeiro prêmio de "Tropa de Elite". No Brasil, não participou de nenhuma competição; apenas abriu o Festival de Cinema do Rio no ano passado.

Padilha é diretor também do elogiado "Ônibus 174" e escreveu o roteiro de "Tropa" com Bráulio Mantovani, de "Cidade de Deus".

SEM O OSCAR Já o cineasta Cao Hamburger não viu surpresa na vitória brasileira. Ele considerava o filme um "concorrente forte, um dos favoritos".

Cao é o diretor de "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias", escolhido por um júri do Ministério da Cultura para representar o Brasil no Oscar --o que deixou "Tropa de Elite" fora da disputa pelo maior prêmio da indústria cinematográfica.

Na corrida pela estatueta da Academia, "O Ano" ficou entre os nove finalistas de filme estrangeiro, mas acabou fora das cinco vagas oficiais. "O Ano" também foi exibido em competição em Berlim em 2007 e voltou sem prêmios.

"Dou meus parabéns ao filme, foi supermerecido, é uma conquista muito importante, muito bacana", disse Cao.

"Tropa de Elite", que teve orçamento de 10,5 milhões de reais, fez manchetes no Brasil antes mesmo de ser lançado. Uma cópia do filme vazou da produtora e acabou pirateada, inundando o mercado negro do país.

Estima-se que um milhão de DVDs piratas tenham sido vendidos, além dos 2,47 milhões de espectadores que foram aos cinemas só em 2007, segundo o Filme B, empresa especializada em números do mercado cinematográfico.

O Brasil foi para Berlim com dez filmes, espalhados em diversas mostras.

Outros ganhadores foram "Café com Leite", eleito melhor curta da mostra Geração, dedicada a filmes que tenham crianças ou adolescentes como personagens principais, e o curta "Tá", que ganhou o Teddy Award, para trabalhos com temática gay.

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