17 de Fevereiro de 2008 / às 13:00 / em 10 anos

"Tropa de Elite" leva prêmio principal do Festival de Berlim

<p>Sally Hawkins faz pose com o Urso de Prata de melhor atriz que recebeu no Festival de Cinema de Berlim neste s&aacute;bado, por seu trabalho na com&eacute;dia 'Happy-Go-Lucky', do diretor Mike Leigh. Photo by Hannibal Hanschke</p>

Por Mike Collett-White e Kerstin Gehmlich

BERLIM (Reuters) - O violento filme brasileiro “Tropa de Elite” ganhou neste sábado o prêmio principal do Festival de Cinema de Berlim, em uma decisão do júri que provavelmente vai causar controvérsia.

O filme, que já é sucesso no Brasil, mostra corrupção, violência e assassinato em meio à ação de um esquadrão da polícia do Rio no combate a narcotraficantes armados nas favelas da cidade.

“Tropa de Elite”, que derrotou favoritos de Hollywood e da Grã-Bretanha, levando o almejado Urso de Ouro de melhor filme, dividiu os críticos.

Alguns o elogiaram, qualificando-o de retrato poderoso das concessões que a polícia faz para sobreviver e fazer seu trabalho, mas outros disseram que glorifica os métodos duvidosos desses policiais. Um crítico chegou a dizer que é um “filme de recrutamento de criminosos fascistas”.

Na cerimônia de premiação no centro de Berlim, o produtor Marcos Prado disse ao diretor José Padilha: “Você fez um filme corajoso sobre corrupção na polícia no Brasil.”

A cerimônia encerrou 11 dias de exibição de filmes, premières com direito a tapete vermelho e fechamento de negócios nesse que é o primeiro grande festival de cinema do ano na Europa.

Concorreram ao Urso de Ouro 21 filmes, mas cerca de 400 foram exibidos em todas as sessões do festival. O grande prêmio do júri foi dado a “Standard Operating Procedure”, documentário do diretor norte-americano Errol Morris, que mostra os abusos contra prisioneiros iraquianos por soldados dos Estados Unidos na prisão de Abu Ghraib.

O iraniano Reza Naji foi escolhido como melhor ator, por “The Song of Sparrows”, filme sobre como o idílio rural de um homem é ameaçado por tentações materiais lançadas em seu caminho na grande cidade.

Sally Hawkins, da Grã-Bretanha, ganhou o prêmio de melhor atriz, como os críticos haviam previsto, por sua interpretação de uma professora de otimismo contagiante em “Happy-Go-Lucky”.

“Minhas pernas estão bambas. Estou à beira das lágrimas, como vocês podem ouvir”, disse Hawkins ao auditório lotado do Berlinale Palast. “Por fim, quero agradecer o ser humano excepcional que é (o diretor) Mike Leigh. Isto é para Mike.”

Paul Thomas Anderson, dos Estados Unidos, ganhou o Urso de Prata de melhor diretor por “Sangue Negro”, que era o favorito para levar o urso de ouro de melhor filme.

Esse longa, que tem o ator Daniel Day-Lewis no papel de um explorador de petróleo ganancioso e determinado no início do século 20, já ganhou muitos prêmios e foi indicado para disputar oito Oscars.

Como sempre, vários filmes que não participaram da competição pelos prêmios conquistaram as maiores manchetes, incluindo a estréia mundial de “Shine a Light”, de Martin Scorsese. O filme sobre concerto dos Rolling Stones garantiu que os veteranos roqueiros britânicos e o aclamado diretor norte-americano caminhassem no tapete vermelho em uma premiére estelar.

Patti Smith estava na cidade para um documentário sobre sua vida e Madonna apresentou seu filme de estréia como diretora, “Filth & Wisdom”, que vários críticos disseram que era tão ruim como seus piores trabalhos como atriz.

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