ESTRÉIA-Nas telas, "O Caçador de Pipas" mantém moral do livro

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008 11:32 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Sucesso editorial no mundo inteiro, "O Caçador de Pipas", do afegão Khaled Hosseini, não demorou a chegar às telas do cinema, mantendo os ingredientes que agradaram a milhões de leitores de todas as nacionalidades, como o exotismo do Afeganistão, a luta contra a adversidade e a culpa e, finalmente, a redenção.

Dirigido por Marc Forster ("A Última Ceia") a partir de um roteiro de David Benioff ("Tróia"), o filme reduz ao máximo as nuances existentes no livro original, porém preserva a mensagem de que não importa o que uma pessoa tenha feito no passado, sempre há uma segunda chance.

Quem, no caso, tem a possibilidade de reparar seus erros é o protagonista Amir (Khalid Abdalla, de "Vôo United 93"), um afegão que fugiu do país ao lado do pai (Homayoun Ershadi, de "O Gosto da Cereja") no final dos anos de 1970, quando o Afeganistão foi invadido pela então União Soviética.

Ele mora nos Estados Unidos há mais de duas décadas, mas o telefonema de um amigo, que fugiu para o Paquistão, o faz lembrar de sua infância em Cabul.

Amir (interpretado quando criança por Zekeria Ebrahimi, em longo flashback) cresceu ao lado de Hassan (Ahmad Khan Mahmidzada), filho do empregado da casa. Os dois são amigos, embora pertençam a grupos étnicos diferentes e desafiem o forte preconceito que impera na sociedade local.

Um dos passatempos preferidos dos garotos é empinar pipas. Amir é o dono do brinquedo, mas é Hassan quem deve correr atrás de um papagaio quando o amigo consegue cortá-lo.

O grande trauma da infância de Amir, e que o persegue pela vida toda, foi não ter ajudado Hassan em um momento de grande dificuldade. Isso causou a separação dos amigos, que nunca mais se viram. Agora, anos depois, surge a chance de reparar o erro.

Se há algum debate político em "O Caçador de Pipas" este é resumido na frase de Amir, ao chegar ao Paquistão, em meados de 2001: "Os Talibans são tão maus quanto dizem por aí?". No mais, a história procura passar ao largo de ideologias.

As informações que o romance trazia sobre a cultura e a política afegã praticamente não existem no filme, que tenta se sustentar nos ombros frágeis de duas crianças que não são atores profissionais. Forster procura fazer com que cada cena cause impacto, valendo-se da trilha musical onipresente do espanhol Alberto Iglesias ("Volver").   Continuação...