ESTRÉIA-Sam Karmann filma amores fluidos em "A Quase Verdade"

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008 16:38 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Baseado no romance do autor norte-americano Stephen McCauley, o filme "A Quase Verdade", que estréia na sexta-feira, é bem mais do que uma obra sobre desencontros amorosos, como definiu o diretor e roteirista, Sam Karmann, em entrevistas a revistas francesas de cinema. A produção é um retrato cru e luminoso sobre a fluidez do amor e as trágicas consequências para os envolvidos.

Como no famoso poema "Quadrilha", de Carlos Drummond de Andrade, é possível brincar com as relações entre os protagonistas. Anne (Karin Viard) é casada com Thomas (o próprio Karmann), que se sente atraído por Caroline (Julie Delarme), a mulher de Marcs (François Cluzet), que, por sua vez, é o primeiro marido de Anne e começou trair sua nova mulher.

Quem se une ao grupo é Vincent (André Dussollier, de "Medos Privados Em Lugares Públicos"), um homossexual enciumado do parceiro mais novo, Lucas (Antonio Interlandi). Apesar de sua opção sexual, Anne se aproxima de Vincent, encantada por seu charme e proximidade profissional e emotiva.

Eles se conhecem quando Vincent vai a Paris para completar um curso universitário de literatura americana e tem como professor Thomas. O aluno é autor de biografias de celebridades quase esquecidas e faz uma pesquisa sobre a história de Pauline Andertons, uma cantora de jazz, nascida em Lyon e desaparecida misteriosamente ainda na década de 1970.

Para isso, Vincent conta com a ajuda de Anne, produtora de um programa de TV, que também se interessa pela história. A busca pela verdade cria um clima intimista que irá trazer à tona as fraquezas de todo o grupo.

Com uma direção de personalidade, o diretor Sam Karmann (vencedor do Oscar de Melhor Curta Metragem por "Omnibus", em 1992) consegue levar uma trama sincera e competente sobre os jogos sociais e emocionais retratados por McCauley, em seu livro. Com uma narrativa lenta e uma trilha sonora bem acabada, o cineasta injeta sensibilidade à crueza dos sentimentos expostos pelos personagens.

(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)