17 de Julho de 2008 / às 14:56 / em 9 anos

ESTRÉIA-"Batman" retorna mais sombrio em nova aventura

<p>O recentemente falecido ator Heath Ledger, no papel do Coringa em 'O Cavaleiro das Trevas', novo filme da s&eacute;rie do super-her&oacute;i Batman REUTERS. Photo by Reuters (Handout)</p>

SÃO PAULO (Reuters) - Batman, o homem-morcego criado pelo desenhista Bob Kane está de volta, numa aventura mais sombria e violenta do que “Batman Begins” (2005). Novamente sob a direção de Christopher Nolan, com Christian Bale repetindo o papel principal, “Batman -- O Cavaleiro das Trevas” estréia no país nesta sexta-feira, com 500 cópias.

A maior novidade do filme é a presença de Heath Ledger no papel de Coringa. Este foi o último filme que o ator australiano completou.

Ele morreu aos 28 anos, de overdose acidental de medicamentos, em janeiro passado. Fato ou lenda, muito se credita ao estado emocional em que ele ficou após interpretar o vilão. No entanto, o que se vê na tela é uma das melhores performances do ator, que viveu papéis marcantes como o caubói de “O Segredo de Brokeback Mountain” (2005), pelo qual foi indicado ao Oscar.

Nos últimos tempos, Batman (Christian Bale) andou limpando Gotham City, com a ajuda do comissário Jim Gordon (Gary Oldman, de “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”). Porém, um novo inimigo do povo começa a atuar. Trata-se do Coringa, uma figura tão misteriosa quanto mentalmente desequilibrada.

Sempre maquiado, ele pode esconder um passado tenebroso. Seu comportamento mostra pouco respeito pela vida humana, sem deixar de lado muita ironia e humor negro. Bruce Wayne e seu alter ego Batman continuam atormentados. Conflitos internos o consomem em cada uma de suas identidades. Nem sua amada Rachel Dawes (Maggie Gyllenhaal, substituindo Katie Holmes) ou seu amigo e mordomo Alfred (Michael Caine) conseguem ajudá-lo. Para piorar, Rachel trocou-o pelo novo promotor de justiça, Harvey Dent (Aaron Eckhart, de “Obrigado por Fumar”).

Enquanto isso, o Coringa vira a cidade de cabeça para baixo, roubando bancos e espalhando o terror. Ele intimida até os mafiosos que dominavam o mundo do crime com métodos novos e surpreendentes.

Com o trio Batman, Dent e Coringa, o diretor co-roteirista Nolan tenta discutir um tema complexo: o que é um herói? É isso que tanto atormenta Batman que, apesar de salvar vidas, sente-se culpado pela onda de crime e mortes.

Já Dent também passará por um complexo processo de transformação, que resultará numa figura de moral tão ambígua quanto o seu rosto, que será deformado.

Nolan sabe, na maior parte do tempo, ir fundo na questão da ambiguidade. Os personagens centrais nunca são completamente bons ou completamente malvados. Eles transitam sobre uma linha tênue, na qual um passo errado pode custar a vida de alguém amado. Esse peso moral que paira sobre “Batman -- O Cavaleiro das Trevas” eleva o filme a um nível não muito comum em se tratando de adaptações de quadrinhos.

Se as cenas de ação de “Batman Begins” eram picotadas demais, aqui Nolan não economiza e faz várias sequências envolvendo perseguições e correrias.

Se Bale com seu carisma continua a ser uma figura de presença marcante -- apesar de todo o figurino e da máscara -- é Ledger quem mais se destaca. Num personagem complexo, ele consegue evitar que o Coringa caia na caricatura, dando-lhe densidade e energia. Além disso, consegue manter um bom ritmo cômico, superando até a interpretação de Jack Nicholson para o mesmo personagem, em “Batman” (1989), de Tim Burton.

Por Alysson Oliveira, do Cineweb

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