ESTRÉIA-Humor negro domina "Uma Garota Dividida em Dois"

quinta-feira, 17 de julho de 2008 12:01 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Dono de um estilo sempre marcado por ironia e humor negro, o cineasta francês Claude Chabrol ("A Comédia do Poder") aborda, mais uma vez, os relacionamentos entre as classes sociais na comédia dramática "Uma Garota Dividida em Dois". O filme estréia em São Paulo e Rio de Janeiro.

Chabrol assina o roteiro ao lado de Cécile Maistre, criando um triângulo amoroso entre uma jovem "garota do tempo" da TV, Gabrielle Deneige (Ludivine Sagnier, de "Paris, Je T'Aime"), um consagrado escritor, Charles Saint-Denis (François Berléand, de "A Comédia do Poder"), e um rico herdeiro, Paul Gaudens (Benoît Magimel, de "A Dama de Honra").

Gabrielle está dividida no interesse por esses dois homens. Na verdade, ela se apaixona mesmo por Charles, um escritor de sucesso, sempre na mídia. Casado com uma bela italiana (Valeria Cavalli), ele se envolve sempre em aventuras rápidas, das quais só sua editora, Capucine (Mathilda May), costuma tomar conhecimento.

Quando se cansa de Gabrielle, Charles não lhe diz uma única palavra. Simplesmente troca a fechadura do apartamento onde se encontravam. Gabrielle fica arrasada. Ferida em seu orgulho, decide aceitar impulsivamente o convite de casamento de Paul, que não pára de assediá-la.

A vida ao lado de Paul garante-lhe todas as comodidades que o dinheiro pode comprar. Viver na alta roda, comandada pela sogra (Caroline Silhol), no entanto, tem seu preço.

A sogra não vê com bons olhos a origem social da nora. Gabrielle sente-se sufocada numa gaiola de luxo, também por conta do ciúme obsessivo do marido.

Os desdobramentos da situação imprimem um tom mais duro a uma história que, até então, era conduzida com cinismo. O enredo, afinal, inspirou-se num fato real -- o assassinato, em 1906, de Stanford White, o arquiteto do Madison Square Garden, morto pelo marido de sua amante atriz.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)