ESTRÉIA-Comédia de Hugo Carvana recicla tema da malandragem

quinta-feira, 18 de setembro de 2008 15:01 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Com um currículo invejável de mais de 80 filmes, seja como ator, produtor ou diretor, Hugo Carvana fez da comédia seu gênero favorito desde a década de 1970. Sua predileção pelo cômico é evidente em produções -- dirigidas e protagonizadas por ele -, como "Vai Trabalhar Vagabundo", de 1974 (e sua sequência em 1991), "Bar Esperança", de 1982, e "Apolônio Brasil -- Campeão da Alegria", de 2003.

Com um humor escrachado, Carvana recheou seus filmes com traços característicos da cultura carioca, criando protagonistas malandros e boêmios regados a doses de uísque.

Em sua mais recente comédia, "Casa da Mãe Joana", estreando em circuito nacional, a trama apresenta o cotidiano de quatro amigos, que não trabalham e vivem de pequenos golpes para manter seu apartamento, uma espécie de república de boêmios madurões. Nela moram Juca (José Wilker), o hippie tardio, PR (Paulo Betti), o sedutor de velhinhas, Montanha (Antonio Pedro Borges), o jornalista curtido no uísque, e Vavá (Pedro Cardoso), rapaz criado pelo trio desde pequeno, que se tornou um amoral.

Os problemas da trupe começam quando, depois de um trambique milionário, Vavá foge com o dinheiro, deixando os outros três na miséria. Não apenas ficam sem recursos para bancar a vida de ócio coletivo, mas também sem condições de quitar as dívidas do apartamento, o que levará a uma ordem de despejo.

Não tarda muito para chegaram à conclusão de que precisarão trabalhar. PR torna-se um amante profissional para mulheres maduras, apesar de não ter mais a disposição necessária para a incumbência. Montanha volta a escrever colunas sentimentais para um jornal sob o pseudônimo de Dolores Sol. Apesar de fictícia, a personagem passa a assombrar o jornalista como um fantasma sem pudor (interpretado pela atriz Juliana Paes).

Enquanto isso, Juca busca emprego como acompanhante de um idoso, um tal de Comendador (Agildo Ribeiro). No fim, percebe que se trata de um senhor efeminado, que gosta de se vestir de mulher e paquerar rapazes no calçadão de Ipanema.

As situações tornam-se ainda mais extremas quando a mãe de PR, Herly (Laura Cardoso), uma hipocondríaca suicida, passa a morar no apartamento, junto com Tainacã (Fernanda de Freitas), filha despachada de Juca. Uma composição explosiva para um ambiente já repleto de problemas.

Em entrevistas, Hugo Carvana deu a entender que seu filme tem como ponto de partida lembranças de quando morava na juventude com três amigos no bairro do Leblon. O quarteto era formado por Miele (que faz uma participação especial), Daniel Filho (um dos produtores associados) e Roberto Maya (que também faz uma ponta). Assim, o filme seria uma espécie de especulação sobre o que aconteceria com os personagens na maturidade, recheado com humor.

Apesar das irregularidades da história, é evidente a animação dos atores, assim como a química entre eles. Carvana faz um filme entre amigos, no qual ele parece às vezes se divertir mais do que o espectador.

(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)