Diamante, o melhor amigo do milionário, que põe arte em 2o plano

segunda-feira, 19 de novembro de 2007 15:04 BRST
 

Por Douwe Miedema

ZURIQUE (Reuters) - Uma série de negócios espetaculares envolvendo diamantes ocorrida na semana passada revelou que os milionários do mundo ainda estão dispostos a gastar.

Isso tranquilizou especialistas, alarmados com o fracasso de um leilão de arte que chegou a ser considerado um indício de retração econômica.

O temor de que os mais ricos pudessem estar vulneráveis à crise de crédito ganhou fôlego quando uma paisagem de Vincent van Gogh acabou sem comprador em um leilão da Sotheby's. Esperava-se que a obra recebesse lances de até 35 milhões de dólares.

Já a Christie's vendeu um raro diamante vermelho por 2,6 milhões de dólares, um recorde, e o fundador da Guess Jeans, Georges Marciano, comprou um grande diamante branco por 16 milhões de dólares --a segunda pedra preciosa mais cara já comercializada em um leilão.

"Com o espectro de uma recessão econômica pairando sobre os EUA, os resultados desencontrados desses leilões podem indicar uma correção e dar o tom do mercado no futuro", comentou o site Artprice.com, que agrega dados de leilões.

A decepção na Sotheby's pode indicar apenas uma correção de preços ou ainda que virá uma nova onda, já que as pinturas impressionistas estão sendo menos demandadas, comentaram especialistas.

Logo após o leilão frustrado, a própria Sotheby's realizou novo pregão, o de maior sucesso envolvendo arte do pós-guerra: uma escultura de Jeff Koons alcançou 23,56 milhões de dólares e uma tela de Francis Bacon chegou a 46 milhões de dólares.

Economistas fazem o acompanhamento de preços de iates, pinturas e jóias para avaliar a perspectiva de venda de bens de luxo. As pessoas mais ricas do mundo detêm cerca de 670 bilhões de dólares em itens colecionáveis, de acordo com relatório da Cap Gemini/Merrill Lynch. Isso representa apenas 1,8 por cento da fortuna delas, mas dá uma dica do potencial desse mercado.

Negociadores de diamantes afirmam que nada mudou no cenário que tem impulsionado os preços das jóias, incluindo o surgimento de número expressivo de milionários no Oriente Médio e na Rússia em decorrência da alta do preço do petróleo.