ESTRÉIA-"A Desconhecida" é retorno de Tornatore ao melodrama

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007 10:51 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O diretor Giuseppe Tornatore, que vem consolidando sua carreira desde o sucesso de "Cinema Paradiso", vencedor do Oscar de filme estrangeiro de 1988, vem ocupando um lugar particular no cinema italiano -- ser o seu principal autor de melodramas.

Ele vai mais longe do que nunca em "A Desconhecida", no qual mistura temas fortes, como a exploração sexual de mulheres do leste europeu, com pitadas de suspense, trama policial, crime e vingança.

O drama estréia nesta sexta-feira em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Porto Alegre.

"A Desconhecida" dividiu as opiniões dos críticos mas mesmo assim venceu nada menos que cinco David de Donatello, o principal prêmio do cinema italiano, em 2007, nas categorias melhor filme, diretor, fotografia, trilha sonora (para o veterano Ennio Morricone) e atriz (Ksenia Rappoport).

Goste-se ou não do filme, será difícil deixar de reconhecer a coragem e entrega da protagonista Ksenia Rappoport, atriz russa de teatro e televisão de 33 anos, que aqui faz sua primeira participação numa produção fora de seu país.

No papel de Irina, ex-prostituta ucraniana em fuga de seu violento explorador, Muffa (um irreconhecível Michele Placido), ela compõe sua sofrida personagem com total credibilidade.

Fruto de um passado de abuso em todos os sentidos, que a narrativa revela a conta-gotas, Irina é vista nas primeiras cenas fazendo uma emboscada. Ela aluga um apartamento, de cuja janela pode observar atentamente a movimentação de uma família, o casal Valeria (Claudia Gerini) e Donato (Pierfrancesco Favino) e sua pequena filha, Thea (Clara Dossena).

Não se sabe que plano misterioso tem Irina, e algumas pistas falsas serão colocadas no caminho do espectador. O fato é que a mulher está disposta a tudo para conseguir emprego no apartamento dessa família, nem que a vida de alguém tenha que ser posta em perigo.

Tornatore conduz o filme como um suspense, não muito difícil de desvendar a partir de certo momento. Mas não se esperem sutilezas ao estilo de um Alfred Hitchcock. Tornatore aqui está mais para o tom emocional de uma novela brasileira. Irina poderia tranquilamente ser uma heroína do horário nobre da TV nacional.

O grande trunfo da atriz está em nunca tornar antipática sua protagonista, ainda que em vários momentos se perceba o quanto ela perdeu parte de sua razão. Por isso, a simpatia do público dificilmente deixará de ficar com ela.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)