December 21, 2007 / 12:39 AM / in 10 years

Polícia suspeita que roubo no Masp foi encomenda de colecionador

3 Min, DE LEITURA

SÃO PAULO (Reuters) - A polícia informou nesta tarde de quinta-feira que trabalha com a suspeita de que o roubo das telas de Pablo Picasso e Cândido Portinari no Museu de Arte de São Paulo (Masp) foi encomendado por um colecionador, já que são obras muito populares para serem comercializadas sem levantar suspeitas.

"A gente acredita que pode estar na mão de algum colecionador, para uso exclusivo dele, porque é uma coisa tão pública, não é?", disse a jornalistas o delegado Marcos de Moura, da polícia civil paulista.

"Isso é coisa de profissional, não tem nada de amador."

Os trabalhos, que estavam entre os principais do acervo do Masp, foram roubados nesta madrugada em uma ação que durou apenas três minutos.

As imagens das câmeras do museu captaram apenas a invasão, mas não o momento do roubo.

Uma fonte que pediu para não ter seu nome revelado, envolvida na investigação, afirmou que as luzes do segundo andar do museu estavam apagadas por medidas de economia e por isso as câmeras não conseguiram filmar o momento do furto.

O Masp chegou a ter a energia cortada em 2005, chegando a fechar para visitas.

Segundo a polícia, três homens invadiram o local, sem usar capuz, arrombaram a porta principal e uma segunda, retirando os quadros de locais separados, distantes. As duas portas não tinham alarme.

As telas roubadas são "Retrato de Suzanne Bloch" (1904), do artista espanhol, e "O Lavrador de Café" (1939), do brasileiro.

O delegado afirmou que os três ladrões entraram no prédio por volta das 5h de quinta-feira, enquanto outro, do lado de fora, vigiava a situação e se comunicava com os invasores.

O delegado também vê ligação entre o furto desta quinta-feira e uma tentativa de roubo no museu em 29 de outubro.

O valor dos quadros não foi divulgado por poder atrapalhar as investigações.

O Masp ficará fechado para visitas até o fim da perícia policial, de acordo com a assessoria de imprensa do museu. Além da polícia paulista, trabalham no caso a polícia federal e o Itamaraty.

Foi a primeira vez na história do Masp de um incidente desse tipo, o que levou o museu a instaurar uma sindicância interna, segundo a assessoria da instituição.

Os funcionários do Masp no turno desta madrugada trabalham no museu há cerca de dez anos, disse a polícia.

A obra roubada de Picasso (1881-1973) foi feita a óleo e mede 65 por 54 centímetros. A de Portinari (1903-1962), com 1 metro por 80 centímetros, também foi pintada a óleo e retrata um negro em uma fazenda de café do início do século 20.

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