22 de Fevereiro de 2008 / às 11:01 / 10 anos atrás

ESTRÉIA-Animação "Persépolis" filtra história recente do Irã

SÃO PAULO (Reuters) - Não há muitas mulheres autoras no mundo dos quadrinhos e, muito menos, alguém como a iraniana Marjane Satrapi, que tem a seu favor uma biografia original.

Nascida em Teerã, em 1969, Marjane assistiu à queda da ditadura pró-ocidental do Xá Reza Pahlevi, à chegada da Revolução Iraniana, em 1979, e ao nascimento e morte das esperanças de modernização e democratização de seu país.

Membro de uma família liberal, que incluiu alguns militantes políticos mortos na prisão na época do Xá, Marjane foi mandada aos 14 anos para estudar na Áustria. Voltou ao seu país, viveu na pele a repressão fundamentalista e decidiu morar definitivamente na França, em 1994.

Foi na França que ela se tornou famosa como a autora da graphic novel "Persépolis", já lançada no Brasil, e que serviu de base para o roteiro do desenho animado com o mesmo nome, que entra em circuito nacional na sexta-feira. O filme concorre ao Oscar de animação neste domingo.

Para realizar o filme, Marjane associou-se ao francês Vincent Paronnaud, também desenhista e diretor de curtas-metragens. Este é o primeiro longa dos dois e venceu o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2007.

A premiação ganhou um significado político, já que o governo iraniano havia protestado formalmente contra sua escolha.

O protesto deveu-se ao fato de Marjane, radicada na França, fazer duras críticas ao atual regime de seu país e mereceu resposta formal da organização do festival. O júri, presidido pelo cineasta inglês Stephen Frears, ao premiá-lo, reafirmou a independência do festival.

Para platéias acostumadas à avalanche de efeitos digitais das animações norte-americanas, o visual despojado deste filme, em preto-e-branco como a graphic novel, poderá parecer modesto. Na verdade, é muito adequado ao conteúdo que transmite.

O foco de "Persépolis" está menos em criar um espetáculo visual e sim no tom confessional usado pela narradora para contar sua vida, que se mistura com a história recente de seu país.

Este recurso cria uma cumplicidade com o público, já que a protagonista revela suas emoções mais íntimas em cada situação enfrentada.

Sem que essa seja sua intenção principal, o filme tem uma pegada feminista. Ao contestar afirmações de professores conservadores ou tentar fugir ao rígido figurino da Revolução -- que impôs a obrigatoriedade do xador em público às mulheres iranianas --, Marjane torna-se alvo dos "guardiões da revolução", nome dos fiscais da ortodoxia xiita, com plenos poderes inclusive para mandar adolescentes à delegacia por esse tipo de comportamento.

Mesmo lidando com temas densos, o filme consegue ser divertido em vários momentos.

Por Neusa Barbosa, do Cineweb

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