23 de Dezembro de 2007 / às 13:34 / em 10 anos

Presidente do Masp admite falta de recurso para segurança

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente do Museu de Arte de São Paulo (Masp), Júlio Neves, admitiu nesta sexta-feira a falta de recursos da instituição para fazer uma segurança adequada, um dia depois do roubo de uma tela do pintor espanhol Pablo Picasso e outra de Cândido Portinari, no pior incidente do tipo no país.

“Não tínhamos os recursos para poder fazer (a segurança). Agora, vamos atualizar. O que se pode fazer é sofisticar alguns equipamentos”, disse Neves em um evento em São Paulo, de acordo com a assessoria de imprensa do museu.

Neves, que é arquiteto e está na presidência do museu há mais de dez anos, comentou que poderia buscar na Europa novas tecnologias para segurança.

Ele participou nesta sexta da assinatura de um convênio entre o governo de São Paulo e o Ministério da Cultura para implementação do programa Mais Cultura, que prevê investimentos de 4,7 bilhões de reais até 2010, em parceria com Estados e municípios.

Sem dar detalhes, Neves afirmou que o museu deverá receber um novo aporte de recursos, via Lei Rouanet. A assessoria de imprensa do Masp afirmou que existe um projeto desde 2005 para modernização de toda instituição, incluindo segurança.

Três homens invadiram o museu na madrugada de quinta-feira, segundo a polícia, sem usar capuz, em uma ação que durou apenas três minutos.

Eles arrombaram duas portas do Masp até chegar à sala de exibição, da onde retiraram os quadros “Retrato de Suzanne Bloch” (1904), de Picasso, e “O Lavrador de Café” (1939), de Portinari.

O Masp informou que não possui alarmes e faz a segurança apenas com homens não armados e com um sistema de câmeras sem infra-vermelho. Foi o primeiro incidente do tipo em 60 anos de história do museu.

A instituição sofreu uma tentativa de roubo em 29 de outubro. A polícia afirmou que outra tentativa aconteceu também na segunda-feira, mas o museu não registrou boletim de ocorrência e a assessoria de imprensa também negou a informação.

A polícia acredita que as tentativas de roubo estão ligadas ao furto de quinta-feira.

Além da polícia paulista, também estão no caso a polícia federal, o Itamaraty e a Interpol. Nesta sexta, a Interpol afirmou em seu site que alertou todos os seus 186 países-membros sobre o roubo das telas, para impedir que elas sejam comercializadas no exterior.

O museu afirma que passou por uma “grande reforma” entre 1996 e 2000, ao custo de 20 milhões de reais, dos quais uma parte foi para a segurança. Até então, o Masp não possuía nem circuito de câmeras.

O Masp possui um acervo de 8.000 obras, um dos maiores e mais importantes da América Latina, embora tenha passado por uma grave crise em anos recentes, que incluiu episódios de corte de energia, de telefone e fechamento para visitas devido à falta de luz. (Por Fernanda Ezabella)

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