ESTRÉIA-"Control" recria os últimos anos do roqueiro Ian Curtis

quarta-feira, 21 de maio de 2008 10:10 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O cinema adora alguém que possa transformar em mártir. De heróis da História antiga a revolucionários contemporâneos, essas figuras são recorrentes. Melhor ainda se forem artistas, atormentados e morreram jovens.

De Sylvia Plath a Kurt Cobain todos já ganharam sua cinebiografia. Por isso é de se estranhar a demora para surgir uma ficção sobre Ian Curtis, líder da banda Joy Division, que se matou aos 23 anos em 1980, pouco antes de embarcar para a sua primeira apresentação nos Estados Unidos.

Os últimos anos da vida do cantor são o centro de "Control", que estréia em São Paulo e no Rio -- quatro dias depois do aniversário da morte do músico.

O filme é dirigido pelo fotógrafo Anton Corbijn, que chegou a fotografar a banda pouco antes da morte de Curtis. No ano passado, o longa foi premiado na Quinzena dos Realizadores, um evento paralelo no Festival de Cannes.

A ação começa em 1973, quando Curtis (Sam Riley) é um adolescente não muito diferente dos rapazes de sua idade. Morando numa pequena cidade da Inglaterra, ele divide o tempo entre os amigos, a escola, cultuar o roqueiro David Bowie ou citar o poeta Wordsworth -- cuja "Ode: Intimações de Imortalidade" ele sabe de cor.

Nada isso é suficiente para tirá-lo de sua bolha de isolamento -- o que acontece apenas quando conhece Deborah (Samantha Morton, de "Poucas e Boas"), a namorada de um amigo com quem acaba se casando.

Curtis tinha problemas emocionais e sua arte é o reflexo claro disso. Suas composições primam pela melancolia e desesperança.

"Control" tenta investigar a intersecção entre a arte e a vida do personagem, ao mesmo tempo destituindo-o do posto de mito, ao procurar retratá-lo pelo lado humano.

Esse tipo de tratamento pode facilmente transformar a figura de um personagem no mártir -- às vezes de uma geração inteira. Em seu favor, o diretor Corbijn e o roteirista Matt Greenhalgh desviam-se das armadilhas tão comuns nas cinebiografias.   Continuação...