21 de Fevereiro de 2008 / às 13:46 / em 10 anos

ESTRÉIA-Indicado ao Oscar, "Juno" narra gravidez na adolescência

SÃO PAULO (Reuters) - A personagem-título da comédia norte-americana “Juno” é uma metralhadora verbal. Ela tem uma resposta inteligente e irônica para tudo. Fala demais, mas nem sempre expressa o que realmente sente. Toda essa esperteza em seu discurso é mais uma autodefesa. Afinal, ela tem só 16 anos e acaba de descobrir que está grávida.

”Juno“, que estréia em circuito nacional na sexta-feira, concorre em quatro categorias do Oscar: filme, diretor, roteiro e atriz para Ellen Page (”X-Men -- O Confronto Final).

Logo nas primeiras cenas, Juno (Page) vai pela terceira vez à loja de conveniência e compra, pela terceira vez, um teste de gravidez -- só porque ainda não está devidamente convencida de que está encrencada.

Mais tarde, conversa com a melhor amiga em seu telefone em forma de cheeseburguer e diz que vai fazer um aborto.

Essa primeira opção é logo descartada, não por motivos sentimentais, mas porque Juno fica aflita ao saber que seu feto “já tem unhas” -- como garante uma amiga, que carrega um cartaz e faz um protesto solitário diante de uma clínica de aborto.

A solução encontrada por Juno é entregar o bebê em adoção a um casal yuppie. Entram em cena Vanessa (Jennifer Garner, “Elektra”) e Mark Loring (Jason Bateman) -- um casal rico e feliz que parece viver uma vida de seriado de televisão.

Ostentando uma barriga que parece maior do que ela, Juno não abandona suas atividades. Continua indo à escola, indiferente aos olhares de curiosidade e reprovação, e conta com o apoio do pai e da madrasta bem-resolvidos, interpretados por J. K. Simmons e Allison Janney.

Além disso, a garota começa a ser uma presença constante na casa dos Loring, criando situações que mostram que o casal pode não ser tão perfeito quanto parece.

O roteiro de estréia da ex-stripper Diablo Cody acerta ao equilibrar o cinismo de Juno e um tom sentimental, sem exageros.

Os diálogos ganham credibilidade graças à performance irretocável de Ellen Page. A atriz canadense surgiu como uma promessa no longa “Meninamá.Com” e aqui se consolida como uma das mais competentes de sua geração.

Já Michael Cera (“Superbad -- É Hoje”), como o pai do bebê, é o contraponto de Juno. Ele não tem muito jeito com as palavras, não sabe expressar o que sente. Por isso, deixa todas as decisões a cargo da menina.

A direção do filme é de Jason Reitman (“Obrigado Por Fumar”), filho de Ivan Reitman (da série “Os Caça-Fantasmas”), que se mostra um diretor muito hábil.

Desde seu longa anterior, ele demonstra interesse em romper com os tabus da correção política, tocando em feridas da sociedade norte-americana -- no caso de “Juno”, gravidez na adolescência, aborto e adoção.

Por Alysson Oliveira, do Cineweb

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below