ESTRÉIA-"O Reino" discute relações entre árabes e Estados Unidos

quinta-feira, 22 de novembro de 2007 13:04 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - Entre os filmes críticos à política norte-americana no Oriente Médio, "O Reino" é, sem dúvida, um dos mais violentos dos últimos anos. Inspirado numa história real, com roteiro assinado por Matthew Carnahan (o mesmo de "Leões e Cordeiros", de Robert Redford), a produção busca esmiuçar o conturbado relacionamento entre as duas culturas.

Assinado por Peter Berg, que sempre fez papéis secundários em séries de TV e, agora, acumula uma carreira de cineasta (é dele o filme "Bem-Vindo à Selva"), o filme tem início com um curioso resumo do que representa a Arábia Saudita atualmente. De forma sucinta --e um pouco simplista--, mostra um reino dominado pelas regras duras do islamismo, avesso a tudo o que é estrangeiro. Tudo isso, claro, até encontrarem petróleo --enquanto procuravam por água-- e ter como principal apoiador os EUA.

Berg e Carnahan deixam claro que a Arábia Saudita é o mesmo "país amigo" do qual saíram Osama Bin Laden e 15 de dos 19 terroristas que cometeram os atentados do dia 11 de setembro. Tal como é também aquele país cuja família real governa sem muita atenção aos direitos humanos.

Depois da apresentação contextual, segue-se um sangrento ataque terrorista ao Complexo Residencial de Al Rahmahos, onde vivem trabalhadores norte-americanos de companhias petrolíferas. O incidente obriga o FBI a enviar uma equipe de peritos para encontrar quem está por trás das brutais mortes (atira-se até em crianças, numa das cenas mais chocantes).

Nos Estados Unidos, são destacados para a empreitada o agente especial de Ronald Fleury (Jamie Foxx, protagonista de "Ray"), a doutora Janet Mayes (Jennifer Garner, da série "Alias"), tal como especialista em desastres, Grant Sykes (Chris Cooper), e Adam Leavitt (Jason Bateman) --que é judeu e enfrenta problemas antes mesmo de embarcar. O grupo chega ao local com a permissão do príncipe (Omar Bedouni), mas a polícia e o exército local não querem colaborar. Apenas o coronel Faris Al-Ghazi (Ashraf Barhom) decide romper algumas regras em benefício do grupo.

Por seu conteúdo violento --a linguagem também é extremamente agressiva--, o filme mostra personagens fortes, motivados pela loucura e o sentimento de vingança. As boas performances do elenco tornam a produção mais verossímil, dentro de uma narrativa alinhada à veemente crítica de Matthew Carnahan, junto a excelentes cenas de ação.

O filme, no entanto, peca em certos pontos, principalmente ao mostrar, sem qualquer pudor, uma imagem mesquinha e desagradável dos árabes para enaltecer os agentes norte-americanos. Mais infelizes são as saídas fáceis e um tanto arbitrárias para resolver os conflitos mais complexos (quando o grupo conta com a ajuda de uma criança, simpática a eles por ganhar um pirulito em cenas anteriores). No fim, "O Reino" é indicado para quem tem estômago forte e interesse pelos conflitos no Oriente Médio.

(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)